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Polícia Militar de Alagoas tem atuação de destaque em defesa dos Direitos Humanos

Redação16 de dezembro de 2024
Polícia Militar de Alagoas tem atuação de destaque em defesa dos Direitos Humanos
© Reprodução

Corporação investe na capacitação do efetivo e no atendimento humanizado em situações de conflito

Via interditada, pneus queimados e trânsito parado. De um lado, um grupo reivindica melhorias ou cobra a garantia de algum benefício. Do outro lado, carros e ônibus levam milhares de pessoas em direção aos seus compromissos diários, como trabalho ou um exame médico. O cenário descrito nos faz imaginar que o clima no local seja de ânimos exaltados. Há 27 anos, porém, um núcleo de atuação da Polícia Militar de Alagoas vem sendo referência nacional em trazer resoluções pacíficas a protestos e demandas populares no estado. Criado em 1997, o Centro de Gerenciamento de Crises, Direitos Humanos e Polícia Comunitária (CGCDHPC) desenvolve um importante trabalho na multiplicação de uma doutrina humanizada e profissional no atendimento a ocorrências e pautas sociais.

Segundo o chefe do CGCDHPC, major Diogo Perdigão, o sucesso na implantação da doutrina está na preparação dos militares em desenvolver habilidades para ouvir e tomar a melhor decisão para melhor resolver o problema de forma coletiva. “A palavra de ordem é: escutar com empatia, ou seja, estar atento às necessidades das pessoas e buscar sempre a solução mais adequada para as partes envolvidas no conflito, tudo conforme preconiza a Constituição Federal na resolução pacífica das demandas e a manutenção do maior bem tutelado pelo Estado Democrático de Direito: a vida”, destacou o oficial.

O resultado positivo no serviço desenvolvido pelo Gerenciamento de Crises da PM-AL transformou o núcleo em um caso de sucesso entre todas as polícias militares do Brasil. Em 2003, o CGCDHPC ganhou o Prêmio Nacional De Direito Humanos, em Brasília. A conquista deu à Polícia Militar de Alagoas o título de PM mais cidadã no Brasil. Desde então, a atuação do Gerenciamento de Crises obteve quase 100% de desfechos pacíficos, em situações de bloqueio de vias, reintegração de posse e demais pautas sociais que envolvem um cenário de discórdia iminente.

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Frentes de atuação

Atualmente, o Gerenciamento de Crises faz parte da Diretoria de Políticas Preventivas (DPP) da PM-AL, e executa, com a Patrulha Maria da Penha e Grupo Vulneráveis e o Proerd a solidificação da doutrina de proteção aos direitos fundamentais. Cada setor é responsável por uma área de atuação junto às minorias sociais. Além da resolução de conflitos externos, o CGCDHPC também tem a incumbência de desenvolver uma política institucional baseada na promoção da dignidade humana.

Já a Patrulha Maria da Penha e Grupos Vulneráveis (PMPGV), é o órgão setorial responsável pelo desenvolvimento da política institucional voltada à proteção da mulher e dos grupos vulneráveis, incluindo a fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e a realização de atividades educativas. A Patrulha soma quase seis mil mulheres assistidas e um índice 100% positivo em evitar casos de reincidência no público atendido.

Enquanto isso, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) é o órgão setorial responsável pelo desenvolvimento da política institucional voltada à prevenção à criminalidade, o uso indevido de drogas e à violência nas escolas de Alagoas. O trabalho tem como público-alvo crianças, adolescentes e seus pais/responsáveis, atuando com métodos que priorizem a afetividade e um modelo de vida saudável, de acordo com a sua realidade.


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Respeito aos grupos vulneráveis

O trabalho de implementação de uma política em defesa dos direitos humanos não está restrito aos núcleos de atuação da Diretoria de Políticas Preventivas. Desde 2022, a Polícia Militar vem desenvolvendo um planejamento para capacitar todo o efetivo no atendimento de ocorrências que envolvam a participação de minorias sociais. A iniciativa surgiu a partir de uma recomendação emitida pelo Ministério Público de Alagoas, que orientou a criação de um cronograma de instrução e multiplicação nos padrões de abordagem aos grupos vulneráveis.

Em junho do ano passado, uma comissão de cinco militares foi montada para a criação de Procedimentos Operacionais Padrão (POP) sobre abordagem a grupos em situação de vulnerabilidade social, pessoas com deficiência, crianças e adolescentes, público LGBTQIAPN+ e idosos. Em seguida, o grupo deu início ao trabalho de capacitação do efetivo, através da formação de multiplicadores. Os militares escolhidos foram os P3 das unidades, função destinada aos responsáveis por instruir a tropa de determinada unidade operacional. A partir de então, cada batalhão foi responsável por montar seu cronograma de instrução, a partir dos prazos estabelecidos.

Segundo o presidente da comissão, major Diogo Perdigão, o ciclo de instruções representou um marco na corporação na busca pela padronização de procedimentos. “A partir da capacitação podemos ter atuação puramente técnica, voltada ao respeito à dignidade e a garantia dos direitos fundamentais, como manda a nossa Carta Magna de 1988 e a Declaração universal dos Direitos Humanos. A medida também possibilita que o agente de segurança pública encarregado da aplicação da lei esclareça as suas dúvidas com relação às particularidades de cada grupo vulnerável envolvido e a maneira adequada de atuação”, completou o oficial.

A implementação dos POPs para abordagem a minorias sociais fez com que a Polícia Militar de Alagoas se tornasse, mais uma vez, referência aos demais órgãos de segurança pública no âmbito nacional. O trabalho foi apresentado em uma audiência pública na sede do Ministério Público Estadual com a presença de Comitês Estaduais de Direitos Humanos e dos Grupos Vulneráveis, sendo bastante elogiado pelas autoridades presentes. Membros da comissão criadora foram procurados por representantes de outros estados para utilizarem o documento como base para a produção dos seus próprios POPs.

O chefe do CGCDHPC explica que cada grupo minoritário teve um POP individual, respeitando suas demandas específicas, para casos onde essas pessoas estejam na condição de autor ou vítima das ocorrências. O documento foi apresentado ao efetivo policial, que teve a oportunidade de sanar dúvidas sobre os procedimentos corretos a serem adotados, dentre eles, entendimentos jurídicos a respeito de abordagens a transexuais e travestis, e as principais diferenças entre os conceitos de identidade e orientação sexual.


Marco histórico

A luta em defesa dos direitos tem origem na década de 1950, quando a Organização das Nações Unidas instituiu o 10 de dezembro como Dia Internacional dos Direitos Humanos. A data foi escolhida por ser o mesmo dia em que, dois anos antes, foi criada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Proclamado na França, o documento foi uma resposta às barbáries vistas durante as duas grandes guerras e estabeleceu uma série de garantias e liberdades básicas para toda a sociedade, independentemente de suas diferenças.

Fonte: Secom Alagoas

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