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Pílula que pode mudar tratamento do câncer de pâncreas dobra tempo de vida de pacientes

Redação01 de junho de 2026
Pílula que pode mudar tratamento do câncer de pâncreas dobra tempo de vida de pacientes
© Asco 2026 pâncreas

CHICAGO* – Entre os cânceres, o tumor de pâncreas é considerado o mais letal e desafiador.

CHICAGO* – Entre os cânceres, o tumor de pâncreas é considerado o mais letal e desafiador. Com sobrevida de cerca de um ano após o diagnóstico, ainda enfrenta o gargalo da limitação de tratamentos que realmente controlem a doença e reduzam impactos para a vida do paciente, como dor e deterioração da saúde. Na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) que reúne 45 mil especialistas e pesquisadores em Chicago, nos Estados Unidos, foi anunciada uma esperança: um comprimido diário que quase dobrou a sobrevida de pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático que já tinham passado por tratamento.

O estudo de fase 3 RASolute-302, publicado no periódico The New England Journal of Medicine, foi realizado com 500 pacientes da América do Norte, Europa e Ásia que foram divididos em dois grupos: um foi tratado com quimioterapia e o outro recebeu a pílula diária em teste daraxonrasibe, da farmacêutica Revolution Medicines, que atua contra a mutação responsável por mais de 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático.

O medicamento em estudo inibe a atuação de mecanismos que interagem com a atividade da proteína RAS com alterações, quando ela leva à proliferação das células cancerígenas e ao crescimento do tumor, mas foi testado também em pacientes sem a mutação.

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A abertura do estudo mostrou que a sobrevida global dos pacientes com a mutação RAS foi de 13,2 meses com daraxonrasibe e de 6,7 meses com quimioterapia. Na comparação para sobrevida livre de progressão da doença, o resultado foi de 7,3 meses ante 3,5 meses dos pacientes em quimioterapia.

Diante dos achados, apresentados em sessão especial neste domingo, 31, oncologistas que acompanhavam a apresentação da plenária no McCormick Place Convention Center aplaudiram de pé por quase um minuto o pesquisador Brian Wolpin, diretor do centro de pesquisa do câncer de pâncreas e do centro de câncer gastrointestinal Hale Family Center, do Dana-Farber Cancer Institute. Continua após a publicidade

“O adenocarcinoma pancreático metastático é um dos mais desafiadores e letais tipos de câncer e com opções terapêuticas limitadas”, explicou o autor do estudo. “Os resultados endossam o tratamento como um novo padrão de cuidado para pacientes que já receberam tratamento”, completou Wolpin.

Efeitos colaterais reduzidos

Os pesquisadores observaram ainda que os pacientes tratados com o comprimido em teste tiveram menos efeitos colaterais do que os que seguiram com a quimioterapia. Eles apareceram em 43,6% dos participantes que receberam daraxonrasibe, principalmente erupção cutânea (13,7%) e estomatite (12%), e em 57,5% dos que estavam no grupo controle — diminuição de neutrófilos (18,2%) e anemia (16,4%) —.

Em relação à quimioterapia, também houve um atraso considerado significativo para o agravamento de quadros de dor e da deterioração do estado geral de saúde e da qualidade de vida dos pacientes. Continua após a publicidade

“No momento, os dados do estudo mostram que o paciente tem mais chances de a doença ficar controlada, reduz significativamente as dores, que é um grande problema do câncer de pâncreas”, explica Pedro Uson, médico oncologista especialista em aparelho digestivo do Einstein Hospital Israelita. “No futuro, acredito que a medicação irá evoluir e será incorporada ao período pré e pós operatório, porque corta o que está fazendo o tumor crescer. Se tira o tumor primário e retira o que alimenta, terá mais chances de cura. Então, acredito que iremos curar o câncer de pâncreas.”

Isso se refletiu na descontinuação do tratamento. Entre os voluntários em tratamento com a droga, o índice foi de 1,2%. No grupo da quimioterapia, foram 11,2%.

Os próximos passos incluem a submissão à agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, e o andamento de testes para utilização do medicamento como primeira opção de tratamento, bem como o uso para outros tumores relacionados à proteína RAS, como o câncer de pulmão e o colorretal.

*A repórter viajou para a reunião anual da Asco a convite da Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil Publicidade

Fonte: Veja Abril

Tags:
Estados unidosSaúdeCâncerPâncreas

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