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Ministério Público de Alagoas oferece denúncia contra empresa e sócios por morte de 80 cavalos de raça

Redação17 de agosto de 2026
Ministério Público de Alagoas oferece denúncia contra empresa e sócios por morte de 80 cavalos de raça
© Reprodução

A irresponsabilidade e a negligência geraram sofrimento, morte, além de um prejuízo que ultrapassa os R$ 82. 570.000,00 mil para o Haras Nova Alcatéia, situado no município de Atalaia, e tem como denunciados pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da 2ª Promotoria de Justiça Local, a empresa Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A., seu sócio majoritário e o administrador operacional/ financeiro pelo fornecimento das rações NutriMax e Forragem Horse, que levaram 80 equinos da raça Mangalarga Marchador a Óbito. Para reparar os danos, o promotor de justiça Ary Lages Filho pede o sequestro e indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da pessoa jurídica e dos denunciados.

O membro ministerial teve acesso aos vídeos feitos com os animais após a intoxicação e afirma ser estarrecedor.

“As imagens provocam compadecimento, os cavalos agitados sentindo dores, metendo a cabeça na parede, cegos, muito sangue no local. Há laudo comprovando a contaminação ocorrida em decorrência da ração oferecida pela Nutratta, o que provocou falência orgânica compatível com intoxicação alimentar. O Haras se dedica à criação genética de equinos dessa raça há mais de 50 anos, confiou na empresa e teve esse tremendo prejuízo. Os donos sofreram um tremendo baque financeiro, mas há também o emocional presenciando o sofrimento dos bichos e é preciso que os envolvidos nesse crime sejam responsabilizados”, destaca Ary Lages.

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Os 80 equinos, considerados de elevado valor genético, apresentaram quadro grave de letargia, taxia, marcha em círculos, cegueira, compressão cefálica, insuficiência hepática. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária ( MAPA), a ração continha elementos altamente tóxicos, como a monocrotalina e o alcaloide pirrolizidinico, encontrados em plantas do gênero Crotalaria, entrando na referida produção da Nutratta por meio de resíduo de soja contaminado, insumo proibido para alimentação animal. Também foi constatado durante a inspeção, armazenamento inadequado das matérias-primas, ausência de segregação, mistura de insumos e falta de pesagem individualizada aplicada na produção.

Segundo o Ary Lages, “o pior é constar nos autos que, além de negligenciar, os administradores da empresa tinham conhecimento da contaminação e, mesmo assim, continuavam fornecendo produtos sem a menor intenção de esbarrar o problema. Além de a própria gerente de produção, em seu depoimento, afirmar que eles apresentavam informações falsas em notas técnicas. E isso é gravíssimo”.

Pelos autos, a empresa Nutratta começou a receber reclamações de mortes no dia 24 de abril de 2025, porém, iniciou as investigações internas quase três semanas após. Para além, o recolhimento parcial dos seus produtos só aconteceu em 5 de maio, quando as mortes se multiplicaram pelo Brasil.

Para o MPAL, eles cometeram:

– Crime ambiental conforme o artigo 56 da Lei número 9.605/ 98;

– Crime contra as relações de consumo de acordo com o artigo 7º inciso 9º da lei número 8.137/ 90;

Além dos 80 equinos mortos no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, Alagoas, foram registradas, pelo menos, mais 284 mortes de cavalos em vários estados da federação.

Vale lembrar que com a repercussão dos fatos, um dos gestores da Nutratta declarou em público, no dia 20 de maio de 2025, que o problema estaria sanado induzindo a clientela a dar mais um crédito e continuar consumindo o produto contaminado.

Fonte: Redação com assessoria

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