Mesmo com desconfiança dos investidores, data centers de IA vivem seu maior boom

Negócios envolvendo data centers bateram um novo recorde global em 2025.
Negócios envolvendo data centers bateram um novo recorde global em 2025. Segundo dados da S&P Global, mais de US$ 61 bilhões (cerca de R$ 300 bilhões) foram movimentados no setor, impulsionados pela corrida para construir a infraestrutura que sustenta aplicações de inteligência artificial (IA), cada vez mais pesadas e famintas por energia.
O dado chama atenção porque surge num momento de desconforto no mercado. Investidores têm demonstrado cautela com avaliações infladas de empresas de IA, dúvidas sobre monetização e o volume crescente de dívidas usado para financiar essa expansão acelerada.
Corrida por infraestrutura de IA sustenta recorde histórico em data centers
O motor desse avanço é: IA precisa de muita infraestrutura física. Modelos mais avançados exigem capacidade computacional elevada, consumo intenso de energia e estruturas robustas para operar em escala. Isso levou empresas e fundos a correrem para erguer novos data centers ou comprar ativos já prontos.Para bancar essa expansão, o setor mudou a forma de financiar seus projetos. Em vez de usar apenas capital próprio, grandes empresas de tecnologia, os chamados hyperscalers (Google, Amazon, Meta), passaram a recorrer mais ao financiamento por dívida. E a parcerias com fundos de private equity (quando investidores compram participação em empresas fora da bolsa para financiar crescimento e vender depois).

Essa virada tem explicação prática. Construir e operar data centers voltados à IA custa caro, envolve prazos longos e depende de infraestrutura energética estável. Transferir parte desse risco financeiro para o mercado virou uma saída natural, mesmo que isso aumente a exposição a oscilações econômicas.
Investidores seguem cautelosos, mas expectativa é de expansão contínua
Essa dependência maior de dívida ajudou a acender o sinal amarelo entre investidores. Em novembro, ações globais ligadas à IA recuaram com força, alimentando o temor de uma bolha. Um dos gatilhos foi a notícia de que a Blue Owl Capital teria desistido de apoiar um data center de US$ 10 bilhões (R$ 55 bilhões) nos EUA. A informação, negada depois, foi o suficiente para derrubar papéis de empresas como Oracle, Nvidia, Broadcom e AMD.
De acordo com Struta, a disputa entre grandes desenvolvedores de modelos de IA (OpenAI, Alphabet, Anthropic) muda rápido e afeta o humor do mercado, mas a demanda segue firme. "De modo geral, vemos a demanda por aplicações de IA continuando a crescer de forma forte em 2026", afirmou à CNBC.
Bancos como o ING compartilham dessa leitura. Para a instituição, tendências estruturais apontam para níveis saudáveis de investimento no próximo ano, apesar das incertezas.
Como resumiu Wim Steenbakkers, chefe global de data centers e tecnologia do ING, também à CNBC, há dois lados em jogo: "um que alimenta o otimismo, como o avanço mais rápido da medicina, e outro ligado a preocupações, especialmente com segurança pública". No fim, diz ele, as dúvidas sobre retorno só serão resolvidas quando os usos da tecnologia ficarem mais claros.
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A expectativa é que, com ativos escassos e limitações energéticas, data centers já existentes fiquem ainda mais valiosos. E troquem de mãos com mais frequência nos próximos anos.
Fonte: Olhardigital




