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Fábrica da BYD no Brasil inicia operação este mês entre denúncias trabalhistas

Redação01 de junho de 2025
Fábrica da BYD no Brasil inicia operação este mês entre denúncias trabalhistas

Pouco mais de um ano após o início das obras, a primeira fábrica da montadora chinesa de carros elétricos BYD no Brasil vai começar a produzir este mês.

Pouco mais de um ano após o início das obras, a primeira fábrica da montadora chinesa de carros elétricos BYD no Brasil vai começar a produzir este mês. A unidade fica em Camaçari, a 50 km de Salvador, na Bahia, e deve entrar em operação no dia 26. A confirmação foi feita pelo vice-presidente da empresa no país, Alexandre Baldy, durante o evento de lançamento do Song Plus DM-i 2026.

"Quero convidar todos vocês para verem localmente o BYD sendo fabricado aqui no nosso Brasil", disse Baldy, afirmando que o anúncio representa um momento histórico para a montadora, líder no setor de carros eletrificados.

Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD no Brasil, em evento de apresentação do Song Plus DM-i 2026. Crédito: Reprodução/Redes Sociais
Construída nas antigas instalações da Ford, a fábrica de Camaçari será a primeira da BYD fora da Ásia a produzir carros de passeio. Segundo a empresa, ela faz parte de um plano maior, que inclui outras duas fábricas na região. Uma delas vai produzir chassis para ônibus elétricos e outra vai processar materiais usados nas baterias, como lítio e ferro-fosfato.

Embora o primeiro carro da linha de montagem ainda não tenha sido confirmado oficialmente, a expectativa é que seja o BYD Dolphin Mini, modelo popular entre os brasileiros. Também pode ser produzido o híbrido BYD Song Pro, que já é o carro elétrico mais vendido no país, com mais de 20 mil unidades comercializadas no ano passado.

BYD Song Pro
BYD Song Pro deve ser o primeiro carro elétrico produzido no Brasil. Crédito: Divulgação/BYD

BYD é acusada de uso de mão de obra em condições análogas à escravidão nas obras da fábrica

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a inauguração acontece em meio a denúncias graves envolvendo a construção da fábrica. O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação na Justiça após investigar o uso de mão de obra em condições análogas à escravidão. O caso envolve a BYD e duas empresas contratadas para a obra.

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Em dezembro, uma força-tarefa formada por órgãos federais identificou 220 operários chineses nessas condições. Eles trabalhavam para empreiteiras terceirizadas e estavam alojados em locais sem higiene, com vigilância armada e sem acesso ao próprio passaporte. Também enfrentavam jornadas longas e sem descanso.

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Segundo o MPT, os trabalhadores tinham contratos com cláusulas ilegais e entraram no país com vistos que não permitiam o tipo de serviço que estavam fazendo. Inicialmente, foram encontrados 163 operários da empresa Jinjiang. Depois, mais 57 da empresa Tonghe também foram resgatados.

Na ação judicial, o MPT pede que BYD e as terceirizadas paguem R$257 milhões por danos morais coletivos. Também solicita o pagamento de valores extras por trabalhador, com base no tempo em que foram submetidos às condições degradantes.

O Ministério Público ainda cobra que todos os direitos trabalhistas sejam pagos e que as leis brasileiras sejam seguidas. Em caso de descumprimento, pede multa de R$50 mil por infração, multiplicada pelo número de vítimas. A BYD diz colaborar com as investigações e afirma respeitar os direitos humanos.

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