Com atuação do MPT/AL, Prefeitura de Arapiraca contrata associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis
Redação20 de abril de 2026
Termo de colaboração beneficiará 70 famílias de catadores que farão coleta seletiva porta-a-porta em mais de 13 mil residências no município
Com atuação do Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT/AL), a Prefeitura de Arapiraca assinou, na quinta-feira (16) passada, um termo de colaboração com as cooperativas e associações de catadores de reciclagem para coleta seletiva de resíduos no formato porta-a-porta no município. A solenidade de oficialização da assinatura ocorreu no Centro Administrativo da cidade, com a presença do procurador Luiz Felipe dos Anjos, gestores municipais e trabalhadores.A partir da assinatura, haverá geração de renda para mais de 70 famílias de catadores vinculados às organizações do município. São elas: Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Arapiraca (Comar), Associação dos Catadores de Resíduos de Arapiraca (Ascara) e Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Mangabeiras (Ascaman).O procurador Luiz Felipe dos Anjos, coordenador da Coordenadoria de Combate às Irregularidades Trabalhistas na Administração Pública (CONAP) do Ministério Público do Trabalho, está à frente do Projeto Estratégico "Inclusão Socioprodutiva de Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis". Segundo ele, a oficialização da contratação das associações cooperativa culmina uma atuação contínua junto ao poder público e aos trabalhadores.“É uma comemoração para nós que fazemos o MPT/AL. Dia em que dezenas de famílias saem da informalidade. Depois de Maceió, Marechal Deodoro e Coruripe, chegou a vez de Arapiraca, maior município do interior alagoano. Comemoramos a geração de trabalho, renda e cidadania para os catadores. O meio ambiente também agradece com menos resíduos nas ruas e nos aterros sanitários. Mas é só o começo. Vamos partir para outras cidades do litoral, zona da mata, agreste e sertão de Alagoas”, afirmou o procurador.O termo facilitado pelo MPT/AL contemplará 13.347 mil residências, de sete bairros da cidade, o equivalente a 13,7% da área urbana, beneficiando mais de 40 mil cidadãos. O planejamento é para que, em até oito anos, ocorra a universalização da coleta seletiva no município.“Arapiraca acredita na coleta seletiva e no benefício ao catador. Fazemos coleta de base solidária. Nesse sentido, pensamos no catador como agente de transformação da nossa cidade, com seu papel na reciclagem, ciclo produtivo e defesa do meio ambiente, trazendo junto mobilidade social e prosperidade econômica”, disse o superintendente do Meio Ambiente de Arapiraca e de Sustentabilidade, Felipe Barbosa, que fará a gestão do termo de colaboração assinado pelas partes.Catadores comemoramSinônimo de trabalho na reciclagem de resíduos sólidos, a presidente da Ascara, Maria Socorro da Silva descreveu a solenidade de assinatura como um marco para os trabalhadores que laboram na coleta seletiva: “Esse dia vai ficar para sempre na história. Foi muito importante para nós catadoras e catadores. Esperávamos há muito tempo esse momento. Agradecemos ao MPT e a Prefeitura de Arapiraca por essa conquista”.Para Vânia Gomes, representante do Movimento Nacional de Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Arapiraca avança no cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010): “Comemoramos mais uma contratação de prestação de serviço de coleta seletiva feita por catadores. Mais um cumprimento da lei, mais um município de Alagoas valorizando de fato os trabalhadores e trabalhadoras de material reciclável. Isso significa inclusão social”.Quem também exerceu um papel nessa formalização da parceria foi o economista Lucas de Barros, assessor técnicos das cooperativas de catadoras de Alagoas. “Foi um processo de oito anos de negociação, que contou com uma mediação muito importante do MPT. O Ministério Público contribuiu com essa balança para apoiar os catadores nessa negociação junto ao poder público. Agora culminamos com a valorização desses trabalhadores, que receberão pela prestação desse serviço de coleta seleta seletiva e educação ambiental, dando a eles dignidade nesse trabalho tão belo”, comemorou.Também estiveram presentes os presidentes da Ascaman, Francisco Alencar, e da Comar, Erivaldo Manoel; secretários municipais e vereadores de Arapiraca; e os ex-deputados Davi Maia e Tereza Nelma.Inclusão socioprodutivaA atuação do MPT faz parte das ações do Projeto Estratégico "Inclusão Socioprodutiva de Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis", que busca levar dignidade e renda para os trabalhadores e suas famílias, além de promover benefícios socioeconômicos e ambientais junto à comunidade local.Para isso, busca-se garantir que os municípios realizem a contratação de cooperativas e associações de reciclagem, como forma de remunerar mensalmente os catadores pelo serviço de coleta seletiva domiciliar na cidade.“Nosso objetivo é fazer com que o sonho dos catadores se torne realidade, é garantir aos trabalhadores o direito de serem remunerados pela sua atividade. Hoje, não mais pode subsistir os argumentos usados para a não contratação das cooperativas, seja por causa da normativa federal, estadual e formalização e efetiva existência jurídica das associações”, afirmou Luiz Felipe ao se referir, dentre outras normas sobre o tema, à Lei 12.305/2010.Quarto município beneficiadoDepois de participar das tratativas para a formalização do contrato de coleta seletiva entre cooperativas de catadores nos Município de Maceió, Marechal Deodoro e Coruripe, o MPT/AL levou a iniciativa de inclusão e geração de renda ao Município de Arapiraca.Em 2024, o MPT realizou uma audiência pública em Arapiraca para discutir estratégias de atuação para a promoção da inclusão socioprodutiva dos catadores e das catadoras de materiais recicláveis. Na ocasião, estiveram presentes representantes da Prefeitura Municipal, Ministério Público de Contas e trabalhadores da coleta seletiva.
Fonte: Ascom/MPT




