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Carros que dirigem sozinhos estão chegando, mas será que estamos prontos?

Redação04 de novembro de 2025
Carros que dirigem sozinhos estão chegando, mas será que estamos prontos?

Montadoras como GM, Tesla e Mercedes-Benz querem transformar como dirigimos.

Montadoras como GM, Tesla e Mercedes-Benz querem transformar como dirigimos. Depois de anos de promessas, o chamado "eyes-off driving" – tecnologia que permite tirar as mãos do volante e os olhos da estrada – está perto de sair do papel. Mas o avanço, que promete mais conforto e menos esforço ao motorista, reacende um questionamento importante: quem é o culpado quando o carro autônomo erra?

O novo patamar de automação, classificado como nível 3, marca o ponto no qual o veículo assume o controle completo da direção em determinadas situações, enquanto o condutor pode relaxar, usar o celular ou assistir a vídeos, por exemplo.

Só há um detalhe: a pessoa sentada no banco do motorista precisa estar pronta para retomar o volante a qualquer momento. E é justamente nessa zona cinzenta – entre máquina e humano – que se concentram as maiores dúvidas de segurança e de responsabilidade, aponta o site The Verge.

O novo dilema da automação de carros: conforto ou responsabilidade?

A promessa dos carros com direção autônoma nível 3 é tentadora. Imagine que gostoso, por exemplo, puxar o celular e se aconchegar no banco para dar uma olhada nas redes sociais enquanto o veículo cuida do resto.

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Porém, na prática, o cenário é bem mais complexo. Fabricantes como General Motors, Mercedes-Benz e Tesla avançam em tecnologias cada vez mais autônomas, enquanto governos e tribunais ainda tentam definir quem responde por um erro de direção quando não há ninguém realmente dirigindo.

Fabricantes como General Motors, Mercedes-Benz e Tesla avançam em tecnologias de direção cada vez mais autônomas (Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock)
O resultado é um momento de transição, com entusiasmo, incertezas, riscos… tudo junto. Essa mistura deve marcar a próxima década da mobilidade, segundo o Verge.

O próximo passo da direção autônoma

A General Motors quer estrear seu sistema de direção autônoma nível 3 até 2028, começando pelo Cadillac Escalade IQ. A tecnologia deve depois chegar a outras marcas do grupo, como Chevrolet, Buick e GMC.

Na prática, o sistema deve permitir que motoristas assistam a vídeos, joguem ou usem o celular enquanto o carro dirige sozinho em rodovias específicas.

A diferença em relação ao Super Cruise, sistema atual da GM, é que o novo modelo vai além: ele libera o condutor de olhar para a estrada, o que transformaria o ato de dirigir numa experiência quase passiva, ainda que supervisionada.

O problema é que esse conforto vem com um asterisco. Mesmo com o modo "eyes-off" ativado, o motorista precisa estar pronto para reassumir o controle a qualquer momento. Se não reagir rápido a um alerta, pode ser responsabilizado por um acidente, mesmo que a falha tenha começado no sistema automatizado.

Esse ponto é o que mais preocupa especialistas, que alertam para o risco de uma falsa sensação de segurança. Afinal, o carro promete autonomia, mas ainda depende da atenção humana para não errar.

No fim, quem é o culpado?

A Mercedes-Benz já vive esse dilema com o sistema Drive Pilot, aprovado apenas em trechos específicos da Califórnia e de Nevada, nos Estados Unidos.

A montadora afirma assumir a responsabilidade por falhas quando o modo autônomo está ativo, mas essa exceção ainda é rara. A maioria das empresas evita prometer o mesmo, já que a legislação varia de estado para estado nos EUA – e, em muitos lugares, a direção de nível 3 ainda é proibida.

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Fabricantes como Ford, Honda e Stellantis também correm para lançar suas versões, mesmo sem regras claras sobre quem será o culpado em caso de acidente.

Motoristas de carros da Tesla já foram acusados de homicídio culposo em acidentes ocorridos com sistemas automáticos ativados (Imagem: Flystock/Shutterstock)
Casos recentes mostram o tamanho do impasse. Motoristas da Uber e de modelos da Tesla, por exemplo, já foram acusados de homicídio culposo em acidentes ocorridos com sistemas automáticos ativados.

Em outro processo, um júri na Flórida decidiu que tanto o motorista quanto a Tesla tinham culpa. E condenou a empresa a pagar US$ 243 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) às famílias das vítimas.

Ao Verge, o advogado Mike Nelson, especialista em mobilidade, disse que essas decisões ainda são embrionárias. Os tribunais tentam entender onde termina a responsabilidade humana e onde começa a da máquina, num cenário que ele descreve como "inevitavelmente caótico".

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Limites entre motorista e máquina

Mesmo com sensores cada vez mais sofisticados (câmeras, radares, rastreadores de olhar), a tecnologia ainda depende de algo imprevisível: o comportamento humano.

Pesquisas mostram que motoristas têm dificuldade de reagir com precisão quando passam longos períodos sem conduzir o carro. Ao serem forçados a reassumir o controle de forma repentina, tendem a reagir tarde demais ou de maneira exagerada, o que pode agravar incidentes.

A pesquisadora Alexandra Mueller, do Insurance Institute for Highway Safety, disse ao Verge que essa convivência entre humanos e máquinas será longa e turbulenta.

Ela lembra que a frota global ainda levará décadas para ser inteiramente autônoma. E que, até lá, os carros automatizados precisarão operar num ambiente caótico, cheio de variáveis imprevisíveis.

Nesse "meio do caminho", diz ela, a transparência das montadoras será crucial para conquistar a confiança do público. Como resume o advogado Nelson: "não é um caos inesperado – ele simplesmente acompanha toda revolução industrial".

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