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Câncer de ovário: os exames que estão redefinindo o tratamento

Redação20 de julho de 2026
Câncer de ovário: os exames que estão redefinindo o tratamento
© sindrome-dos-ovarios-barriga-mulher-original.jpeg

O câncer de ovário ilustra como a medicina deixou de enxergar o câncer apenas pelo órgão onde ele surge e passou a olhar para a biologia de cada tumor.

O câncer de ovário ilustra como a medicina deixou de enxergar o câncer apenas pelo órgão onde ele surge e passou a olhar para a biologia de cada tumor. Durante décadas, o câncer de ovário foi tratado quase como uma única doença. Mulheres com diagnósticos semelhantes recebiam terapias parecidas, apesar de apresentarem tumores biologicamente distintos.

Hoje, a medicina de precisão mudou esse cenário. O avanço da genômica e dos biomarcadores transformou a forma de entender a doença e abriu caminho para tratamentos cada vez mais personalizados.

Uma das grandes mudanças foi compreender que o câncer de ovário não constitui uma entidade única. Estudos como o The Cancer Genome Atlas (TCGA) demonstraram que tumores aparentemente semelhantes ao microscópio podem apresentar alterações genéticas completamente diferentes, com impacto direto na resposta terapêutica.

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A caracterização morfológica clássica continua sendo o primeiro passo essencial, pois é a partir dela que se define o subtipo histológico e se orienta toda a investigação molecular subsequente.

Por trás dessa transformação está um profissional que deixou de atuar apenas nos bastidores: o patologista. Tradicionalmente associado apenas à confirmação diagnóstica, esse especialista hoje exerce papel decisivo na medicina de precisão. É o patologista quem avalia a qualidade da amostra tumoral, define o subtipo histológico, seleciona o material adequado para os testes moleculares e integra informações morfológicas, imuno-histoquímicas e genéticas em um laudo capaz de direcionar a escolha terapêutica. Continua após a publicidade

Na prática, isso significa que o laudo anatomopatológico deixou de ser apenas descritivo. Ele passou a reunir informações acionáveis, fundamentais para a decisão clínica.

Diretrizes internacionais atualmente recomendam a avaliação de biomarcadores em pacientes com câncer epitelial de ovário, considerando não apenas seu impacto na seleção de tratamentos mais personalizados, mas também as implicações para a identificação de risco hereditário e o aconselhamento de familiares.

Sua identificação depende da adequada seleção, coleta e preparo do material, bem como da avaliação da qualidade do tecido analisado. Essas etapas são fundamentais para a confiabilidade dos testes moleculares e contam com atuação central do patologista na escolha e validação da amostra que será utilizada para a análise dos biomarcadores. Continua após a publicidade

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A incorporação desses biomarcadores revolucionou o tratamento do câncer de ovário ao permitir terapias direcionadas, desenvolvidas para atuar em alterações específicas do tumor.

Pacientes com mutações em BRCA1/2 ou deficiência de recombinação homóloga (HRD), por exemplo, passaram a se beneficiar dos inibidores de PARP, medicamentos que mudaram o cenário da doença avançada ao prolongar significativamente o controle tumoral.

Mais recentemente, a expressão do receptor de folato alfa (FRα) abriu caminho para novas estratégias terapêuticas levando ao desenvolvimento de um anticorpo droga-conjugado que mostrou benefício clínico em pacientes com câncer de ovário resistente à platina e com alta expressão de FRα (igual ou superior a 75%), reforçando o valor dos biomarcadores e a necessidade de testes adequadamente interpretados. Continua após a publicidade

No câncer de ovário, o futuro do cuidado depende justamente dessa integração entre patologia, oncologia e biologia molecular. Da qualidade da amostra coletada à interpretação dos testes moleculares, cada etapa influencia a possibilidade de oferecer terapias mais eficazes e personalizadas.

Em outras palavras, não existe oncologia de precisão sem patologia de precisão. E quem mais se beneficia desse avanço é a paciente, que passa a ter uma jornada diagnóstica e terapêutica cada vez mais individualizada e assertiva.

*Louise De Brot é líder do departamento de Anatomia Patológica do Hospital A.C.Camargo Cancer Center Publicidade

Fonte: Veja Abril

Tags:
MedicinaGenéticaSaúdeSaúde da mulherCâncer

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