Anomalia magnética: existe uma “zona de perigo” invisível sobre o Brasil?

Uma espécie de "zona de perigo" invisível se estende sobre o território brasileiro.
Uma espécie de "zona de perigo" invisível se estende sobre o território brasileiro. Trata-se da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), uma região onde o campo magnético terrestre é mais fraco. Mas, afinal, o que isso significa para quem vive no Brasil e por que essa área desperta tanta atenção dos cientistas?
Embora o nome possa assustar um pouco, a anomalia não representa uma ameaça direta para a população. Seus efeitos mais relevantes aparecem acima da atmosfera, principalmente nas órbitas baixas da Terra, onde satélites e outros equipamentos ficam mais expostos a partículas carregadas que conseguem atravessar com maior facilidade essa região de proteção magnética reduzida. 
Existe algum risco para quem está no Brasil?
A resposta é direta: não. O enfraquecimento do campo magnético nessa região não provoca efeitos perceptíveis no cotidiano das pessoas e também não representa um risco específico para a aviação comercial. "Não tem nenhum tipo de preocupação; a gente não precisa criar nenhum tipo de alarme quanto a isso. É para ficar muito tranquilo sobre esse aspecto", afirmou Hartmann.O cenário é diferente para os equipamentos que ficam em órbita. O campo magnético terrestre funciona como uma proteção contra partículas energéticas provenientes do Sol e de outras fontes. Onde essa proteção é menor, aumenta a possibilidade de essas partículas interferirem no funcionamento de sistemas eletrônicos. 

A medida não significa que o telescópio esteja constantemente sob ameaça. Trata-se de uma precaução operacional para diminuir a possibilidade de falhas. Satélites mais modernos também podem contar com sistemas de proteção e componentes desenvolvidos para suportar melhor os efeitos da radiação espacial.
Por que o campo magnético é mais fraco?
A própria palavra "anomalia" pode induzir a uma interpretação errada. Na geofísica, ela não significa necessariamente um defeito ou uma falha. "Anomalia não significa um defeito, mas sim qualquer fenômeno que destoa de uma média", explicou Hartmann.O campo magnético terrestre é muito mais complexo do que o de um simples ímã com dois polos. Além da componente principal, existem estruturas chamadas de campos não dipolares, que alteram a intensidade e a direção do campo em diferentes pontos do planeta. 
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Segundo o especialista, a Anomalia Magnética do Atlântico Sul se caracteriza justamente pela forte presença dessas estruturas magnéticas mais complexas. "São contribuições de quadrupolo, de octupolo, de 16 polos, de 32 polos, enfim, é um campo muito mais complexo do que a gente imagina. A Anomalia Magnética do Atlântico Sul é caracterizada por ter contribuições de campos não dipolares bastante elevadas", afirmou.
A Anomalia Magnética do Atlântico Sul, portanto, está longe de ser uma "zona de perigo" para quem vive no Brasil. O fenômeno revela, na prática, que o campo magnético da Terra não é uniforme e que suas características podem variar bastante de uma região para outra. Para a ciência, entender essas diferenças é essencial para acompanhar um dos escudos naturais que envolvem o planeta e lidar com os efeitos de suas particularidades sobre a tecnologia espacial.
Fonte: Olhardigital




