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Canetas emagrecedoras acendem alerta para uso em crianças; em Alagoas, especialistas reforçam cuidado com automedicação

Redação25 de agosto de 2026
Canetas emagrecedoras acendem alerta para uso em crianças; em Alagoas, especialistas reforçam cuidado com automedicação

O aumento da procura pelas chamadas “canetas emagrecedoras” levou a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a emitir um alerta sobre o uso desses medicamentos por crianças e adolescentes. A entidade chama atenção principalmente para situações em que os remédios são utilizados sem indicação médica ou com finalidade exclusivamente estética.

O alerta ganha importância também em Alagoas, onde dados de acompanhamento nutricional mostram um número expressivo de crianças com excesso de peso. Informações compiladas a partir do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) apontam que 100.514 crianças de 0 a 9 anos foram classificadas com excesso de peso em 2025 no estado, correspondendo a cerca de um terço das crianças avaliadas.

O cenário mostra que o combate à obesidade infantil é uma questão real de saúde pública, mas especialistas alertam que a solução não deve passar pela utilização indiscriminada de medicamentos.

Medicamentos não são indicados para fins estéticos

As chamadas canetas emagrecedoras incluem medicamentos que atuam em mecanismos hormonais relacionados à saciedade, ao apetite e ao controle da glicose. Entre os princípios ativos estão semaglutida, liraglutida e tirzepatida.

Segundo a SBP, esses medicamentos podem ter indicação para determinados pacientes pediátricos, mas o tratamento precisa considerar a idade, o diagnóstico, as condições clínicas e os possíveis riscos.

A entidade recomenda que a decisão seja individualizada e acompanhada por profissionais habilitados. O objetivo é tratar doenças como obesidade e diabetes tipo 2, e não simplesmente promover perda de peso para atender a padrões estéticos.

Entre os possíveis problemas associados ao uso inadequado estão desidratação, alterações de eletrólitos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula biliar, além de possíveis impactos no crescimento e desenvolvimento.

O que isso significa para Alagoas

O alerta da pediatria brasileira encontra um cenário particularmente relevante em Alagoas.

Os dados de excesso de peso infantil mostram que milhares de famílias alagoanas convivem com uma condição que exige acompanhamento médico e mudanças de hábitos, mas também revelam o risco de transformar um problema de saúde em uma corrida por soluções rápidas.

A situação exige atenção principalmente porque crianças e adolescentes estão em fase de crescimento. Para especialistas, o tratamento precisa levar em consideração não apenas o peso registrado na balança, mas também desenvolvimento físico, alimentação, atividade física, saúde emocional e possíveis doenças associadas.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde já apontavam anteriormente a dimensão do problema: em 2021, 3,1 milhões de crianças menores de 10 anos apresentavam excesso de peso, sendo que 28% das crianças acompanhadas estavam nessa condição.

Mais recentemente, estimativas reunidas no Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que aproximadamente 20,7% dos brasileiros entre 5 e 19 anos apresentam sobrepeso ou obesidade.

Uso sem acompanhamento pode trazer riscos

A preocupação aumenta diante da popularização dos medicamentos e da facilidade com que informações sobre emagrecimento circulam nas redes sociais.

A Anvisa já alertou para riscos associados ao uso inadequado desses medicamentos. Em fevereiro deste ano, a agência emitiu comunicado específico sobre casos de pancreatite aguda relacionados ao uso indevido de canetas emagrecedoras, ressaltando que a reação adversa está prevista nas bulas, mas que o uso fora das indicações aumenta a possibilidade do problema.

A agência também reforça que medicamentos sem registro no país não podem ser comercializados normalmente. A importação de produtos sem registro é submetida a regras específicas e, em determinadas situações, somente pode ocorrer de maneira excepcional para uso pessoal e mediante prescrição médica.

Para crianças e adolescentes, a cautela precisa ser ainda maior.

Medicamentos podem ter indicação pediátrica em casos específicos

O alerta da SBP não significa que todos os medicamentos dessa classe estejam proibidos para menores de idade.

Algumas substâncias possuem indicações específicas para pacientes pediátricos. Em abril, por exemplo, a Anvisa aprovou a utilização do Mounjaro (tirzepatida) para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2, dentro dos critérios estabelecidos pela autoridade sanitária.

A diferença fundamental está na indicação médica e no acompanhamento profissional.

Por isso, especialistas recomendam que pais e responsáveis não utilizem medicamentos prescritos para adultos em crianças e adolescentes por conta própria e não busquem versões sem procedência ou comercializadas fora dos canais autorizados.

Pressão estética também preocupa

Outro ponto destacado pela Sociedade Brasileira de Pediatria é a utilização dessas substâncias por adolescentes que apresentam peso considerado adequado, mas desejam emagrecer para se aproximar de determinado padrão corporal.

A entidade defende que questões relacionadas à imagem corporal e à autoestima também sejam abordadas durante o acompanhamento médico.

Nesse sentido, o debate ultrapassa a questão do medicamento. Para crianças e adolescentes, alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, acompanhamento psicológico quando necessário e orientação familiar continuam sendo componentes importantes da prevenção e do tratamento do excesso de peso.

Alerta aos pais

Diante da popularização das canetas emagrecedoras, a principal orientação para famílias alagoanas é não administrar esses medicamentos sem avaliação médica.

A presença de excesso de peso em uma criança não significa automaticamente que ela precise de uma caneta para emagrecer. O diagnóstico e a estratégia de tratamento devem ser definidos individualmente por profissionais de saúde.

O cenário de Alagoas reforça a necessidade de ampliar o acompanhamento nutricional e o acesso a cuidados especializados, ao mesmo tempo em que cresce a preocupação nacional com o uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas.

Fonte: Redação com assessoria

Tags:
Saúde

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