‘É um perigo para a sociedade’, diz pai sobre motorista que atropelou e matou atleta de jiu-jítsu em Maceió

No sepultamento, Pedro Wilson fez um apelo às autoridades e questionou o fato de o condutor estar em liberdade
Durante o sepultamento de Ruan Wilson de Lima Silva, de 15 anos, atleta de jiu-jítsu, nessa quinta-feira (27), em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas, o pai do adolescente, Pedro Wilson, fez um apelo às autoridades por justiça e questionou a permanência em liberdade do motorista envolvido no atropelamento que matou o filho.
Em um discurso direcionado ao diretor-geral da Polícia Civil e ao comando-geral da Polícia Militar de Alagoas (PMAL), Pedro pediu que as autoridades se colocassem no lugar da família que perdeu um filho.
“Eu peço um apelo ao senhor. Se fosse o filho do senhor, com 15 anos, que fosse tirada a vida. Que hoje o senhor devesse estar sepultando o seu filho. Como seria? Seria diferente, eu tenho certeza. Você ia fazer justiça de verdade”, afirmou.
Ruan morreu após ser atropelado por um carro na noite da última terça-feira (25), no Tabuleiro dos Martins, em Maceió. O adolescente estava de bicicleta e, segundo testemunhas, passava por uma faixa de pedestre quando foi atingido. Relatos apontam ainda que o veículo estaria em alta velocidade e teria avançado o sinal vermelho.
Durante a despedida, Pedro questionou a aplicação da lei e afirmou que o motorista já teria outros três crimes de trânsito.
“Mas aí eu digo: por que não cumpriram com a lei? É preciso esse cara já ter três crimes de trânsito. É preciso ele cometer o quarto para que a lei seja feita? Porque um cara desse solto, um cara desse ainda por aí é um perigo para a sociedade”, declarou.
O pai também destacou que o filho era um adolescente promissor e criticou a falta de segurança para pedestres e ciclistas no trânsito.
Segundo Pedro, testemunhas teriam presenciado o momento do atropelamento e há também um vídeo relacionado ao acidente. Ele citou o relato de uma pessoa que teria escapado de ser atingida pelo veículo antes da colisão com Ruan.
“Um deles falou assim no vídeo: ‘Rapaz, você quase me mata porque, se eu não tiro a moto, pega em mim’. Claro, ele tirou a moto e pegou no meu filho”, relatou.
‘Ele era um artista’
Durante o sepultamento, Pedro também falou sobre as características do filho e as lembranças que pretende guardar do adolescente. Segundo ele, Ruan era tranquilo, amigo e tinha talento para o desenho.
“O Ruan, ele é um artista. Desenha, desenhava muito bem. E a recordação de verdade do meu filho era a paciência que ele tinha em solucionar qualquer problema. Apesar de ter 15 anos, ele era muito tranquilo. Ele era calado, mas era um cara muito tranquilo e muito amigo”, afirmou.
O pai disse ainda que a principal lembrança que levará do filho será a tranquilidade que ele demonstrava diante das dificuldades.
“Então, a lembrança que eu vou levar dele, que todo mundo vem para nos ensinar algo, é que manter a tranquilidade nas horas mais difíceis, o qual eu estou tentando fazer aqui, mas é muito difícil porque a dor é grande”, disse.
Ruan era chamado pelos colegas de “Cachinhos”, estudava e praticava jiu-jítsu de forma amadora.
O adolescente havia saído para jantar com o pai na noite do acidente. Ao retornar para casa, teria pedido à mãe para andar de bicicleta pelo bairro, quando acabou sendo atropelado.
Fonte: Gazetaweb




