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Torcida do Manchester United mostra insatisfação com os donos do clube

Redação06 de outubro de 2022242 visualizações
Torcida do Manchester United mostra insatisfação com os donos do clube

Em agosto, antes do jogo contra o Liverpool, pela terceira rodada da Premier League, cerca de 10 mil torcedores se reuniram próximos ao Old Trafford para protestar contra os americanos. Essa insatisfação dos fãs não é de hoje. Em maio do ano passado, antes de uma partida também contra o Liverpool, centenas de fãs já haviam invadido o gramado do estádio para pedir que os donos fossem embora do United.

A maneira com que foi feito o acordo pela compra do clube é o principal motivo desse atrito entre os Glazers e os torcedores. A tensão, segundo Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito esportivo, é antiga por causa do formato com que foi feita a aquisição, entre 2004 e 2005, e que resultou em endividamento do clube, no chamado 'leveraged buyout'.

"Essa é a chamada compra alavancada, pela qual o adquirente de uma empresa não emprega capital próprio nesta operação, e sim, por exemplo, busca um empréstimo para comprar as ações e este empréstimo será posteriormente pago pela empresa adquirida e não por seu comprador", explicou.

O advogado ainda completou: "Foi isso o que ocorreu e que provocou a fúria dos fãs, pois endividou o clube e fez com tenha de pagar anualmente um alto valor em juros para cobrir o empréstimo feito por seus donos. Essa tensão cresceu de novo mais recentemente devido à escassez de troféus."

Nos últimos anos, o Manchester United não tem obtido resultados à altura de sua grandeza. Reconhecido como o maior campeão na Inglaterra, com 21 títulos, a última vez que o time ergueu a taça da Premier League foi em 2013, ano que marcou o fim da era Alex Ferguson. Além disso, já são quatro temporadas consecutivas sem nenhum troféu. As últimas conquistas aconteceram em 2016/2017, com a Copa da Liga Inglesa e a Liga Europa.

Depois que Ferguson anunciou sua aposentadoria, o time de Manchester não conseguiu manter a hegemonia no futebol inglês. Vários treinadores foram contratados neste período e nenhum deles fez o time atingir o patamar esperado pelos torcedores. Ao todo, foram quatro técnicos demitidos: David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho e Ole Gunnar Solskjaer.

Mesmo com toda a crise, o Manchester United ainda é considerado como um gigante do futebol mundial. De acordo com a Forbes, o valor do clube em maio de 2022 era de US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões). A receita no ano passado, segundo a consultoria KPMG, foi de US$ 636 milhões (R$ 3,3 bilhões). Em contrapartida, a dívida líquida, revelada em março no relatório financeiro trimestral mais recente, é de 496 milhões de libras (aproximadamente R$ 3 bilhões).

Armênio Neto, especialista em geração de receita na indústria esportiva, explica porque a imagem do gigante inglês ainda é tão valiosa no futebol. "A construção da marca Manchester United é resultado de uma estratégia de décadas, apoiada na expansão global da Premier League. Portanto, não se derruba o valor de uma marca como essa do dia para a noite. Ao mesmo tempo, podemos observar o surgimento de concorrentes que, combinando performance em campo a estratégias globais de crescimento, podem chegar a valer tanto ou mais que este clube no médio prazo."

Para reverter este cenário de crise e abafar a crítica dos torcedores, na última janela de transferências houve um investimento pesado em contratações. O United gastou mais de 150 milhões de libras em dois nomes badalados: o volante Casemiro, multicampeão com o Real Madrid, e o brasileiro Anthony, um dos jogadores mais promissores do mundo. Mas ainda não sabe o que fazer com Cristiano Ronaldo, que procurou clube antes da temporada, permaneceu no United por falta de opção e agora a imprensa inglesa volta a anunciar sua saída em janeiro.

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Esporte

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