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Relatório aponta retrocessos no direito indígena em gestão Bolsonaro

Redação27 de julho de 2023353 visualizações
Relatório aponta retrocessos no direito indígena em gestão Bolsonaro

Quatro anos de ataques aos povos indígenas.

Quatro anos de ataques aos povos indígenas. O relatório do Conselho Indigenista Missionário, o Cimi, lançado nessa quarta-feira (26), mostra que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro representou um retrocesso na proteção e na garantia de direitos da população originária brasileira.

Uma das promessas de campanha do ex-presidente de extrema-direita foi alcançada. Nenhum centímetro de terra indígena foi demarcada, descumprindo expressamente a Constituição brasileira. Foram 867 casos de omissão e demora na regularização de terras indígenas no ano passado.

Essa situação amplificou as disputas pelo território. Explodiram os casos de conflitos nas terras indígenas em 2022, sendo 158 casos registrados, e um total de 409 nos últimos quatro anos.

As invasões das Terras Indígenas também foram recordes, com 309 no ano passado e 1.133 em todo governo Bolsonaro.

O descaso com os povos Yanomami, em Roraima, foi um ato marcante no fim do governo Bolsonaro. A invasão da terra por grileiros, garimpeiros e o crime organizado levou a um genocídio dos indígenas, segundo o Cimi.

Julio Ye'kwana, que vive na Terra Indígena Yanomami, conta a escalada de ataques que os povos indígenas viveram na região.

A terra indígena registrou Yanomami 134 mortes de crianças com até quatro anos em 2022, com total de 621 crianças Yanomami em todo o governo Bolsonaro. E em todo o país, mais de 3,5 mil indígenas dessa idade morreram no governo anterior.

Roberto Antonio, pesquisador do Cimi e um dos responsáveis pelo relatório, aponta a escalada de ações do governo de Bolsonaro contra os indígenas.

A Terra Indígena do Vale do Javari, que ganhou visibilidade em 2022 com os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips, é outro exemplo do desmonte da proteção e fiscalização dos territórios contra ação de invasores. A falta de infraestrutura e de equipamentos para servidores da Funai levou ao aumento da violência, da fome e das mortes na região.

O relatório do Cimi mostra também a precarização da educação indígena. A falta de infraestrutura básica, material didático, merenda e professores levaram à redução de vagas nas escolas, o que dificultou o acesso de crianças, jovens e adultos ao ensino.

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