segunda-feira, 24 de agosto de 202622:00:25
Sol
TV Alagoas
EducaçãoSemed Maceió promove formação em Educação Especial de 25/08 a 01/09EsportesPrefeito Rodrigo Cunha participa de competições no Gigantão em MaceióCulturaAlfarrábios revitalizados atraem visitantes no Centro de MaceióGeralProcon Maceió inaugura núcleo de atendimento no Benedito BentesEducaçãoPrefeito Rodrigo Cunha entrega Gigantinho Bilíngue no Vergel do LagoGeralSemuc orienta motoristas sobre violência contra a mulher em MaceióGeralPrefeitura de Maceió avança na obra do Mercado do JacintinhoEconomiaANP Avança para Monitorar Mistura de Biodiesel por Notas Fiscais EletrônicasEconomiaANP Avança para Monitorar Mistura de Biodiesel por Notas Fiscais EletrônicasEsportesMax Verstappen fica na Red Bull até 2030 e encerra rumores sobre saídaEsportesCristiano Ronaldo chega ao gol 977 na carreira; veja números em 2026EsportesRafael Matos e Orlando Luz vão à semi de duplas do ATP de Cincinnati

Paxlovid contra Covid chega tarde e eficácia contra ômicron não é clara, diz estudo

Redação23 de novembro de 2022386 visualizações
Paxlovid contra Covid chega tarde e eficácia contra ômicron não é clara, diz estudo

Antes, o medicamento já havia sido incorporado ao SUS pelo Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde). Outro medicamento também aprovado para uso contra Covid é o antiviral molnupiravir, da farmacêutica MSD. Em comunicado no último dia 27 de outubro, a Anvisa disse aguardar mais resultados para autorizar sua comercialização em farmácias.

Porém, a evidência do uso do nirmatrelvir combinado com ritonavir (composto ativo do Paxlovid) no atual momento da pandemia acaba de ser contestado em um artigo publicado na revista científica BMJ Evidence-Based Medicine (do grupo British Medical Jounal).

No estudo, os autores Todd Lee e Andrew Morris, do Departamento de Medicina da Universidade McGill, no Québec (Canadá), e da Universidade de Toronto, junto com os pesquisadores Jason Pogue e Erin McCreary, da Universidade de Michigan e da Escola de Medicina de Pittsburgh (EUA), afirmam que, com base nas evidências mais recentes, o benefício do uso de nirmatrelvir e ritonavir para pacientes imunocompetentes vacinados e/ou recuperados da Covid é incerto.

A pesquisa científica, que fez uma revisão da literatura disponível, listou os principais achados sobre o Paxlovid e a sua eficácia contra hospitalizações e óbitos. O primeiro estudo clínico randomizado e duplo-cego, conduzido pela Pfizer, incluiu 2.246 participantes, dos quais metade recebeu placebo e metade, a droga. Só foram considerados pacientes com alto risco de evolução para quadro grave da doença e maiores de 18 anos não hospitalizados.

A conclusão do estudo foi que o Paxlovid evitou uma hospitalização a cada 18 casos, porém mesmo esse benefício foi encontrado em um contexto de circulação da variante delta, mais agressiva.

Os autores refizeram a análise do estudo da Pfizer no contexto de circulação da ômicron e suas subvariantes. Considerando um risco de hospitalização com a ômicron cerca de 40% menor do que o da delta, a expectativa era que o medicamento prevenisse mais hospitalizações, mas o resultado obtido foi de uma hospitalização evitada a cada 42 casos.

Outro ponto mais importante é que a proteção nos indivíduos vacinados e que fizeram uso do medicamento ainda é desconhecida. Como a vacinação foi um fator determinante para reduzir hospitalizações e mortes, os pesquisadores esperavam encontrar um maior benefício também no uso do medicamento por esses indivíduos, o que não foi encontrado, já que pessoas vacinadas (incluindo com reforço) se infectam com a ômicron, mas raramente evoluem para hospitalização e morte.

Por fim, os cientistas consideram que, se não há benefício evidente atualmente do uso de Paxlovid para evitar hospitalização e morte, a resolução dos sintomas em poucos dias poderia ser um uso possível, melhorando assim o quadro clínico da doença. Mas, como esse não foi um desfecho buscado nos ensaios clínicos da farmacêutica até então, não há essa indicação para uso, e o benefício continua desconhecido.

Para os autores, o medicamento, assim como outros antivirais, tem o seu valor, mas a aprovação de agências como a FDA americana (Food and Drugs Administration) no atual momento da pandemia não considerou a melhor evidência disponível. Os pesquisadores ressaltam ainda que o alto custo desses tratamentos antivirais deve ser considerado quando forem pensadas políticas públicas de saúde.

O artigo diz que o governo americano gastou cerca de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 557 bilhões) com terapias com "baixo valor" de evidência médica, ou seja, tratamentos com falta de indicação para uso ou ofertados a pacientes que não correspondem aos critériosdefinidos no estudo.

No Brasil, o difícil acesso aos medicamentos contra Covid foi criticado por muitos especialistas, especialmente em momentos da pandemia com maior número de casos e, consequentemente, de hospitalizações e mortes.

Faltam mais estudos para indicar um possível benefício dos antivirais em todos os tipos de pacientes e frente às novas variantes. Os autores do estudo concluem, no entanto, que o coronavírus é um vírus que vai permanecer em circulação por muito tempo, e parece "razoável fazer escolhas sobre como vamos escolher e priorizar terapias para não repetir as escolhas do passado".

Tags:
brasil

Continue Lendo