Orgulho LGBTQIAP+: como o setor tech pode ser mais inclusivo

Uma das principais lutas da comunidade LGBTQIAP+ – (lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, queer, interssexo, agênero, panssexuais e pessoas não-binárias, além de outras identificações) – ainda é pela inclusão no mercado de trabalho.
Uma das principais lutas da comunidade LGBTQIAP+ – (lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, queer, interssexo, agênero, panssexuais e pessoas não-binárias, além de outras identificações) – ainda é pela inclusão no mercado de trabalho. No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+, celebrado nesta quarta-feira (28), o Olhar Digital traz histórias e caminhos para tornar o setor tech mais inclusivo.
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Apesar das estatísticas ainda demonstrarem esse cenário, há iniciativas que caminham no sentido da inclusão dessa parcela da população. Veja abaixo:
Histórias de inclusão LGBTQIAP+

O designer destacou que, para ele, o setor de tecnologia tende a ser mais aberto à diversidade que segmentos mais conservadores, o que pode ser um facilitador para que pessoas da comunidade possam entrar no mercado de trabalho.
Mesmo assim, ele acredita que ainda haja um longo caminho pela frente. E que são necessárias mais ações afirmativas para que, de fato, haja inclusão e diversidade no mercado de trabalho.
Acredito que a sociedade ainda precisa evoluir muito em relação ao mercado de trabalho para pessoas da comunidade LGBTQIAP+, principalmente para pessoas trans, que têm pouca visibilidade para várias áreas. Acho que ainda precisa ser feito muita coisa, como mais vagas afirmativas para pessoas trans e da comunidade e programas de incentivo de empresas, tanto de tecnologia quanto de outras áreas, porque às vezes são pedidas inúmeras skills [habilidades], mas muitas dessas pessoas nunca tiveram oportunidades para se munir dessas skills.Felipe Birgman, 29 anos, é designer UX/UI na Mouts TIKarina Zulauf Tironi, de 23 anos, também acredita que o setor da tecnologia pode ser mais inclusivo – e não apenas com as questões de orientação sexual. Ela, que se declara pansexual (indivíduo que sente atração por pessoas independente do gênero delas, de como se expressam para o mundo e de sua orientação sexual), trabalha há alguns meses na mesma empresa de Felipe e já sentiu segurança para falar sobre sua orientação para alguns colegas.
Sempre é difícil se sentir 100% confortável onde não sabemos a opinião das pessoas sobre a orientação sexual do outro. Somente recentemente compartilhei com algumas colegas, mas ainda me sentindo receosa de falar mais sobre isso. Não houve nenhuma situação, é mais sobre um receio de que falar sobre isso seja como colocar um elefante no cômodo.Karina Zulauf Tironi, assistente de Recursos Humanos na Mouts TIA gestora de Recursos Humanos da Mouts TI, Gláucia Hahnemann de Souza, explicou que a empresa não tem atualmente um programa específico de vagas afirmativas apenas para pessoas da comunidade LGBTQIAP+, porque todas as vagas são para todos os públicos. Ela também apontou uma evolução significativa do setor de tecnologia na busca por perfis diversos.
Cada vez mais percebemos em diferentes áreas e clientes um maior foco na valorização da diferença. Percebo que a área de tecnologia, inclusive comparada à outros segmentos, visualiza o quanto podemos potencializar as equipes e o negócio tendo perfis diferentes. Vemos muitas quebras de paradigma, e com isto conseguimos ter maior inovação e desenvolvimento, pois visões de mundo diferentes têm muito a agregar.Gláucia Hahnemann de Souza, gestora de Recursos Humanos da Mouts TI
Contexto

Além disso, 47% dos entrevistados afirmaram que as empresas em que trabalham não têm práticas de promoção da igualdade ou que eles não sabem da existência dessas ações.
Ainda segundo a mesma pesquisa, 43% das pessoas alegam ter sofrido algum tipo de discriminação, principalmente velada, seja por parte de colegas ou pela liderança.
O mercado de trabalho é formado por pessoas e cada indivíduo possui valores pessoais e ideais. Entretanto, muitas vezes essas crenças se tornam limitantes e estão recheadas de estereótipos, o que impacta todo o percurso das pessoas que fazem parte de grupos sub representados no ambiente corporativo, desde o processo seletivo até oportunidades de crescimento de carreira.Anabel Carvalho Martins Filardi, que trabalha no setor de Empregabilidade da Escola da NuvemAnabel atua no mercado de tecnologia, pois a Escola da Nuvem é uma organização sem fins lucrativos que visa garantir a educação e a empregabilidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social para que elas consigam ingressar no setor de cloud computing.
Segundo a especialista, essa realidade geral não é diferente no setor tech, já que ele é "predominantemente masculino, branco e heteronormativo".
O primeiro desafio [que enfrentamos], que acaba gerando todos os demais, são os vieses inconscientes. A partir deles surgem os primeiros julgamentos num processo seletivo e a falta de representatividade, [que culminam] nas barreiras enfrentadas por pessoas diversas para alcançarem ascensão profissional. [Isso também pode ser visto na] desigualdade salarial e no dia a dia com as micro agressões, que surgem em comentários inadequados e piadas ofensivas.Anabel Carvalho Martins Filardi, que trabalha no setor de Empregabilidade da Escola da NuvemPara Anabel, esse desafio é o maior de todos e o mais difícil de ser combatido, pois é "algo invisível. E por não ser consciente para as pessoas, isso dificulta o processo de mudança. É realmente difícil de se trazer [os vieses] para o nível de consciência e então mudar percepções e comportamentos, pois muitos deles são tão enraizados em nossa sociedade e rotina que são naturalizados. Para mudar a realidade que vivemos hoje, é essencial que cada pessoa crie consciência de seu lugar de fala e privilégios", opina.
Como construir um ambiente seguro para pessoas LGBTQIAP+

Por exemplo, alguns tipos de assédio e micro agressões, como comentários inapropriados e 'piadas' ofensivas que passam despercebidas devido a naturalização desse comportamento. Mesmo assim, elas impactam negativamente na vida de pessoas diversas. Algumas empresas criam códigos de conduta e canais de escuta para que o público diverso tenha garantia de sua segurança [e possa fazer relatos do que está acontecendo].Anabel Carvalho Martins Filardi, que trabalha no setor de Empregabilidade da Escola da NuvemSegundo Anabel, é urgente que esteja nesse processo de inclusão a igualdade salarial e a promoção de iguais oportunidades de crescimento dentro das organizações. "Para isso, é importante que a liderança seja aliada à pauta da Diversidade e Inclusão. Também pode-se considerar a criação de grupos de afinidade para atuar em comitê e em frentes de inovação e estratégia para a empresa", conclui.
Porém, tudo isso só terá efeito se a inclusão estiver integrada à estratégia da empresa como um todo, não só dentro de uma área específica ou como um projeto apartado, segundo Anabel.
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Fonte: Olhardigital



