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Mundo tem mais de meio milhão de novos casos diários há 22 dias

Redação12 de janeiro de 2022503 visualizações
Mundo tem mais de meio milhão de novos casos diários há 22 dias

Desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a variante ômicron, há 47 dias, o mundo teve um aumento de 19% nos casos conhecidos de Covid-19 e vem registrando recordes diários de novos diagnósticos.

"O aumento de casos pela ômicron no mundo todo é surpreendente", comenta o médico infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas da USP. "É impressionante a capacidade e velocidade de transmissão. Em poucas semanas, ela domina um país."

O alerta sobre os riscos da ômicron veio em 26 de novembro, dois dias após a detecção do primeiro registro da variante na África do Sul. No dia do anúncio, o mundo registrou 594.437 casos. O número diminuiu, mas voltou a ficar acima do patamar de meio milhão no dia 20 de dezembro -e não baixou mais.

Em 27 de dezembro, o mundo atingiu a marca inédita de um milhão de casos confirmados num único dia. Apenas uma semana depois, já eram mais de dois milhões de casos diários da doença. Na segunda-feira (10), foram 3,28 milhões de novos casos, recorde de registros; em 14 dias, a quantidade de novos casos de Covid triplicou no planeta.

Parte do crescimento mundial de casos é atrelado ao avanço do contágio nos Estados Unidos, que chegou a registrar, sozinho, mais de um milhão de casos no dia 4 de janeiro; na terça (11), o país bateu novo recorde de diagnósticos, com 1,35 milhão de casos. Além dos EUA, outros países como França e Itália acumulam boa parte dos índices de contágio no mundo.

Stanislau observa que, diferentemente da evolução progressiva apresentada por outras cepas, a ômicron tem o efeito de "uma enchente que toma conta de um território e atinge todo mundo ao mesmo tempo".

O diretor da OMS, Tedros Adhanom, também já se referiu à variante como um "tsunami" pela capacidade e velocidade de contágio: "Isso está e continuará colocando uma pressão imensa sobre os esgotados trabalhadores da saúde, e os sistemas de saúde estão à beira do colapso", declarou em entrevista coletiva.

Para Stanislau, a ômicron deve servir de alerta para acelerar processos de vacinação e evitar que novas variantes, ainda mais agressivas, possam surgir.

"Amanhã, se surgir uma variante com a capacidade de transmissão da ômicron e outras características que possam causar uma doença grave... Isso vai mostrar o tamanho do problema que a gente tem pela frente".

APAGÃO NO BRASIL

"O apagão do Brasil, que carece ainda de uma melhor explicação, surgiu num momento muito crítico, quando a gente tem um surto de influenza concomitante com introdução da ômicron e um aumento dos casos", explica o infectologista.

Há um mês, o Ministério da Saúde atribuiu a um ataque hacker um apagão de dados no sistema de registros relativos à pandemia. Na terça (11), o governo afirmou que a situação havia sido restabelecida, embora alguns sistemas ainda estejam fora do ar.

Enquanto os municípios enfrentam dificuldades para inserir dados de casos e mortes pela doença, os registros foram prejudicados e o público ficou sem acesso a dados completos da atual situação do país na pandemia.

"Sem uma noção do número, como faremos o planejamento de assistência? Esse apagão de dados compromete de maneira muito importante o nosso planejamento", observa Stanislau.

Somado ao apagão, há também a falta de testes em laboratórios e farmácias, que ficaram sobrecarregados diante do aumento da demanda advindo da alta de casos na virada do ano.

"Evidenciamos a falta de testes e a saturação da capacidade de dar resposta, tanto das farmácias como dos laboratórios privados, que até então tinham sido nossos refúgios para ter alguma informação. Perdemos a informação oficial e estamos perdendo a capacidade de testagem no pior momento da pandemia em termos de transmissibilidade e casos."

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