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Mauricio de Sousa perde vaga na Academia Brasileira de Letras para Cavaliere

Redação27 de abril de 2023225 visualizações
Mauricio de Sousa perde vaga na Academia Brasileira de Letras para Cavaliere

Cavaliere era favorito absoluto à cadeira antes de o pai da "Turma da Mônica" apresentar seu nome na disputa, em março, em substituição à professora Cleonice Berardinelli, morta em janeiro.

Doutor em língua portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, Cavaliere é um dos maiores especialistas em letras e linguística do país. Ele trabalhou em seus estudos após o doutorado ao lado de Evanildo Bechara, imortal da ABL de 95 anos e referência absoluta nos estudos de gramática no país.

A vaga em disputa era de Berardinelli, que morreu em janeiro aos 106 anos como a integrante mais longeva da Academia, da qual fora a sétima mulher eleita. Especialista em literatura portuguesa, ela foi uma das pioneiras no estudo de Fernando Pessoa.

Por isso, Cavaliere era visto como um bom substituto para a cadeira número oito, já que a Academia tem tradição de substituir seus membros por outros com especialidade semelhante -no caso, ambos são pesquisadores da língua portuguesa.

Concorriam, além de Mauricio e Cavaliere, os escritores Elois Angelos D'Arachosia, James Akel e Joaquim Branco e o advogado José Alberto Couto Maciel. Nenhum deles tinha chance real de ser eleito.

Desde que Mauricio confirmou sua candidatura, em março, a corrida para a vaga esquentou. Se o cartunista rapidamente conquistou um séquito de adeptos dentro da Academia, caso da atriz Fernanda Montenegro e do escritor Paulo Coelho, e na opinião pública, também foi alvo de ataques.

Akel, que postulava à mesma vaga, foi o crítico mais vocal ao desenhista, criando polêmica ao dizer que gibi não era literatura de verdade e que Mauricio de Sousa não tinha o que acrescentar à ABL. Ele afirmava ser mais preparado para a vaga e ter um plano de ação que gostaria de implementar na Casa de Machado.

As falas de Akel geraram reações tanto nas redes sociais quanto em artigos como o do editor André Conti, que lembrou outras declarações recentes do escritor e jornalista, como a defesa da tortura de guerrilheiros opositores da ditadura e a crítica à TV Globo por, supostamente, "mostrar uma imagem ruim do regime militar".

Mauricio de Sousa respondeu os ataques dirigidos a ele afirmando que quadrinhos "são revolucionários porque ficam entre a literatura e as artes gráficas" e lembrando o americano Will Eisner, que o ensinou "que a linguagem dos quadrinhos é uma revolução de ideias".

Pela segunda vez na história, os acadêmicos votaram em urnas eletrônicas, emprestadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, para eleger o novo imortal. A primeira foi na semana passada, quando Heloisa Buarque de Hollanda foi escolhida para a vaga que era de Nélida Piñon.

Tags:
Cultura

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