De robôs caçadores de insetos a injeções em sementes: startups revolucionam o agro

Se há algo que vai bem no Brasil é o ecossistema das agritechs.
Se há algo que vai bem no Brasil é o ecossistema das agritechs. No ano passado, as startups brasileiras do agro captaram US$ 1,3 bilhão, à frente de países como Israel (US$ 1,2 bilhão) e França (US$ 1,1 bilhão). O número de agritechs também segue em expansão: hoje, são mais de 1.700, 10% a mais do que em 2021, de acordo com dados da Embrapa e SP Ventures. Mesmo assim, é um universo mais tímido do que de o de fintechs e startups de outros segmentos, como saúde e educação, já mais consolidadas. 
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Globalmente, os aportes em agritechs atingiram o pico em 2021, quando somaram US$ 53,2 bilhões. O boom de preocupações com segurança alimentar e o impacto da agricultura no meio ambiente foram motores das rodadas de investimento em startups que desenvolveram de fertilizantes biológicos a fazendas verticais e carnes plant-based, à base de vegetais. 


Ao mesmo tempo, startups de soluções de robótica, irrigação e financiamento permanecem em alta. No Brasil, a Solinftec captou R$ 100 milhões este ano para turbinar tecnologias de monitoramento de safra, com foco na cana-de-açúcar — a empresa criou robôs que matam insetos e analisam o solo para identificar a necessidade de uso de adubos ou defensivos.
Esse tipo de ferramenta, que integra o conjunto de soluções da agricultura de precisão, pode gerar economia para o produtor rural, entre outros benefícios. Por exemplo, uma usina de cana-de-açúcar normalmente utilizaria 300 quilos de fertilizante por hectare — com uma análise melhor do solo, é possível reduzir esse custo em cerca de R$ 300 por hectare.
Há espaço também para negócios nascentes. A DioxD, fundada em 2018, recebeu mais de R$ 1,4 milhão de fundos como GR8 Ventures e da aceleradora AgroVen. Os recursos vão ser destinados ao ganho de escala e ao aprimoramento de uma tecnologia baseada na aplicação de CO2 em sacos de sementes de soja para acelerar a germinação da planta. 
Além de gerar economia de tempo e permitir que a força de trabalho seja alocada em outras atividades mais estratégicas, os avanços tecnológicos permitem maior precisão e inteligência na tomada de decisãoJosé Tomé, CEO do AgTech Garage e sócio da PwC Brasil.De modo geral, o cenário para investimentos em startups do agro neste ano é um pouco mais otimista do que em 2022. A consultoria britânica Oghma Partners, especializada em aquisições e investimentos no setor de alimentos e bebidas, aponta que as dificuldades mais impactantes do ano passado, aos poucos, devem ficar para trás — embora ainda haja desafios para apostas em novas empresas em meio a um ambiente de negócios volátil.
Parte do aumento de custos e do ambiente de financiamento mais complexo observado em 2022 deve diminuir neste ano. Esperamos encontrar investidores dispostos a níveis de avaliação atraentes das agritechs.Mark Lynch, sócio da consultoria britânica Oghma Partners.Uma expectativa é pela redução da taxa de juros, sobretudo em um cenário de inflação mais controlada.

Fonte: Olhardigital



