Café das Matas de Rondônia: da lavoura à xícara, estudo mostra grão super sustentável

Café robusta de Rondônia ganha estudo de mapeamento da produção
Um estudo inédito realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que será apresentado oficialmente na quinta-feira (25), mostra que o café da região das Matas de Rondônia é super sustentável. O estudo foi realizado por pesquisadores da unidade sediada em Porto Velho e liderado pelo pesquisador Carlos Ronquim, da Embrapa Territorial, unidade localizada em Campinas (SP). O projeto faz parte do CarbCafé Rondônia, que além da Embrapa conta com a Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon) e o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob-RO).
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A região é o berço do "robusta amazônico", primeira variedade a receber selo de Indicação Geográfica de cafés canéforas sustentáveis no mundo. O estudo também destaca a contribuição das reservas indígenas, que preservam e conservam grandes "blocos" de florestas nativas primárias num total de 1,2 milhão de hectares. Somadas, essas áreas de vegetação nativa chegam a 56% de todo o território das Matas de Rondônia, ou 2,2 milhões de hectares.
Mas identificar as plantações de café não foi tarefa fácil, dizem os pesquisadores, porque os cafeeiros estão localizados dentro das pequenas propriedades rurais espalhadas pelo vasto território das Matas de Rondônia, sendo confundidos com outras culturas, ou até mesmo com bordas de floresta. Isso, mesmo com o apoio de imagens de satélite de alta resolução espacial. Ronquim qualifica o trabalho como árduo, demandando o envolvimento de muitos técnicos, entre pesquisadores, analistas e bolsistas.
A bebida gerada pelo grão amazônico vem ganhando destaque em feiras e concursos nacionais e internacionais como uma das mais exóticas e interessantes do ponto de vista sensorial. A produção regional está crescendo e buscando ampliar mercado para o seu produto como um café especial. Segundo a Caferon, além do mercado brasileiro, o robusta amazônico tem sido exportado para países da América do Sul, Ásia e Europa. As negociações comerciais não são simples.Para expandir o mercado de compradores, os produtos agrícolas da Amazônia enfrentam pressão maior para comprovar a sustentabilidade do processo, como afirma o produtor Juan Travain, que também é o presidente da Caferon. "Sabíamos que a cafeicultura da região é sustentável, mas não tínhamos essa comprovação com base na ciência. E o estudo demonstra isso", diz ele. "Esses dados precisam ganhar o mundo. Queremos divulgá-los em eventos de grande repercussão nacional e internacional."
O estudo também aponta fatores que podem ajudar a cadeia local a atender à demanda de novos mercados, sem pressionar as áreas de floresta. A cafeicultura da região vem aumentando a produtividade pela aplicação de tecnologias, e pode ainda ocupar as vastas áreas de pastagens, que representam 1,9 milhão de hectares, tamanho pouco menor que metade de toda a área da região.
"Trabalharemos para ocupar essas áreas novamente, mas de uma maneira com mais sustentabilidade e pujança, por termos mais tecnologias. A Amazônia será um celeiro de café para o mundo, de maneira mais sustentável, obedecendo a todas as normas", afirma Travain. (Com Embrapa)




