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Alckmin exalta Lula aos gritos em evento com centrais sindicais

Redação15 de abril de 2022421 visualizações
Alckmin exalta Lula aos gritos em evento com centrais sindicais

Diante de dezenas de sindicalistas reunidos em São Paulo, Alckmin aumentou o tom de voz para dizer que a "luta sindical deu ao Brasil o maior líder popular deste país".

Em seguida, já rouco e aos gritos, repetiu: "Lula, Lula, viva Lula, viva os trabalhadores do Brasil."

Alckmin disse ainda aos representantes das centrais que estará com eles nas eleições para "somar esforços" para derrotar o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

Em seu discurso, Lula afirmou que é "plenamente possível" que ele e Alckmin formem uma chapa "para reconquistar os direitos dos trabalhadores".

"Vamos juntar as duas experiências para tentar reconstruir em quatro anos o que eles destruíram", continuou.

O petista disse ainda que o processo eleitoral será difícil e voltou a reforçar que é importante eleger uma bancada progressista no Congresso Nacional para que seja possível "fazer as mudanças necessárias".

Lula também afirmou que é preciso dialogar com todos os setores da sociedade para escrever um programa de governo e reconstruir o país.

"Não vamos deixar ninguém de fora, todos vão sentar à mesa. E quero ouvir e saber qual vai ser o compromisso de cada um."

Líder nas pesquisas eleitorais, o ex-presidente disse ainda, ao citar as condições dos trabalhadores por aplicativo e a "contrarreforma" trabalhista espanhola, que é preciso adaptar uma nova legislação à realidade atual. "Não queremos voltar para trás."

Antes de começar o evento, o petista esteve com líderes sindicais e tratou da reforma trabalhista. Segundo Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Lula afirmou ser favorável à revisão de pontos, e não sua revogação.

"Ele fala em pontualmente fazer atualizações e mudanças. Por exemplo a volta das homologações, o fim dos acordos individuais sem a presença dos sindicatos e a regra no trabalho intermitente. Ele confirmou que não volta o imposto sindical", diz Patah.

Segundo o deputado federal e presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força, Lula disse aos presidentes das centrais "vocês falam o que quiserem, depois podem encher meu saco em Brasília".

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que Lula recomendou que os sindicalistas definissem uma proposta clara com reivindicações para apresentar a ele e "cobrar depois em Brasília".

"O Lula disse que tem coisas na reforma [trabalhista] que não dá mais para mexer, por isso que temos que levar uma proposta clara do que queremos."

De acordo com o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sérgio Nobre, Lula afirmou que a revisão da reforma trabalhista "não será uma medida autoritária, mas construída na negociação".

"Este ato é um clamor da classe trabalhadora para mostrar a Lula que a candidatura dele é a única esperança de botar o Brasil no eixo de novo", diz Nobre.

Segundo ele, o petista tem ponderado em suas conversas sobre o esforço que a corrida eleitoral exige. Desta forma, o ato serviria para que o ex-presidente ouvisse relatos dos trabalhadores de todos os segmentos numa tentativa de explicitar a importância da candidatura dele.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, o PT irá propor a revogação da reforma trabalhista no programa da federação partidária que formará com PV e PC do B, embora Lula reconheça entraves para a iniciativa. O novo texto ainda será submetido à aprovação das demais legendas.

O tema foi debatido na reunião do diretório nacional da sigla nesta quarta-feira (13), que também aprovou, por 68 votos a 16, a indicação do nome do ex-governador Alckmin (PSB) para compor a chapa de Lula como vice-presidente.

No encontro com sindicalistas, Lula disse ainda que será preciso realizar uma reforma tributária que "leve em conta que quem ganha mais, deve pagar mais" e voltou a afirmar que é preciso "colocar o pobre no orçamento".

Ele também afirmou que é preciso tornar a geração de empregos uma "obsessão" de todas as pessoas.

Uma das preocupações dos organizadores do evento desta quinta era evitar que ele fosse caracterizado como um ato de campanha, o que seria ilegal.

Quando, por exemplo, o auditório da Casa de Portugal atingiu a sua capacidade, dirigentes das centrais pediram que os sindicalistas desocupassem a rua para que não configurasse um ato a céu aberto. Não houve nenhuma distribuição de panfletos e as faixas dispostas no local eram das sindicais.

Após a aprovação da indicação do nome de Alckmin para compor a chapa, o tema agora será levado ao encontro nacional do partido, que será realizado nos dias 4 e 5 de junho. A larga vantagem dos votos no diretório é um indicativo do que poderá acontecer no evento, uma vez que sua composição reflete a correlação de forças dentro do PT.

Texto aprovado pelo diretório, que indica a aprovação da aliança e da composição da chapa, diz que o PT deve buscar ampliar o apoio ao ex-presidente Lula "em outros setores políticos e sociais do campo democrático" para derrotar o presidente Jair Bolsonaro (PL), num processo eleitoral "que já se revela o mais duro desde a redemocratização do país".

"A eleição presidencial deste ano colocará em disputa dois projetos muito claros: o da democracia e o do fascismo", diz o texto.

A resolução também afirma que a candidatura de Lula é a que tem "reais possibilidades de aglutinar a maioria da sociedade".
O documento diz ainda que a coligação nacional com o PSB é um "importante passo na direção almejada".

"Confirmará nossa disposição de, no governo, implementar um programa de reconstrução e transformação do Brasil, ampliando nossa base social."

CHAPA LULA-ALCKMIN

O que foi encaminhado

  • Na última sexta-feira (8), a cúpula do PSB indicou formalmente o nome de Geraldo Alckmin (PSB) para compor a chapa do ex-presidente Lula (PT) como candidato a vice-presidente
  • Na reunião desta quarta (13), o diretório nacional petista indicou a chapa para aprovação no encontro nacional do partido
O que falta
  • Aprovação na chapa no encontro nacional do PT, que será realizado nos dias 4 e 5 de junho
  • Formalização na convenção partidária do PT, entre o fim de julho e começo de agosto
CANDIDATURA LULA

O que foi encaminhado

  • O anúncio da pré-candidatura de Lula deverá ocorrer em ato no dia 7 de maio em São Paulo. A expectativa é que o ex-governador Geraldo Alckmin participe
O que falta
  • Nome do ex-presidente deverá ser aprovado na convenção partidária do PT, entre fim de julho e começo de agosto
  • O TSE impôs como data limite para registrar a candidatura no dia 15 de agosto

Fonte: Notícias ao minuto

Tags:
política

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