Covid: Em AL, hospitais Metropolitano e da Mulher concedem alta a dez pacientes manauaras

Por Pedro em 22/02/2021 às 13:16:15
Catarina Magalhães

Catarina Magalhães

Notabilizadas como unidades de refer√™ncia no atendimento humanizado e no suporte físico, social e psicológico aos pacientes acometidos pela Covid-19, o Hospital da Mulher (HM) e o Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA), em Maceió, j√° concederam 10 altas médicas a pacientes vindos de Manaus, no Amazonas. No total, 14 pacientes chegaram ao Estado no último dia 21 de janeiro, por meio da Opera√ß√£o Alagoas Solid√°ria, devido ao colapso na Rede de Saúde Pública Manauara, que resultou na falta de oxig√™nio e no surgimento de uma fila de espera por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Dos seis pacientes manauaras com Covid-19 que foram internados no HM, cinco j√° se recuperaram e um encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). E dos oito que foram internados no HMA, cinco receberam alta médica e tr√™s evoluíram para óbito, conforme balan√ßo divulgado pela Sesau nesta segunda-feira (22).

Dos seis pacientes manauaras internos no HM, dois receberam alta médica em 28 de janeiro. Recuperados da doen√ßa, o fotógrafo Israel Gato Serr√£o, de 41 anos, e a agente de portaria, Etiene Silva Oliveira, de 36, retornaram à capital do Amazonas, uma semana depois de serem trazidos a Alagoas. No início deste m√™s, em 5 de fevereiro, a assistente social Sabrina Ellen Mendon√ßa Pontes, de 29 anos, e o professor de química e estudante de odontologia, Emerson Rocha, de 37, viajaram de volta a Manaus, após ficarem 15 dias internados.

"A situa√ß√£o em Manaus est√° um caos. Fiquei numa √°rea onde estavam 10 pessoas, todas sentadas em cadeiras, pois o hospital j√° n√£o dispunha de camas para colocar os pacientes. Era muita gente tossindo, pedindo ajuda. Cheguei a ver um senhor de aproximadamente 50 anos agonizando na porta do hospital. Ele levantava a m√£o pedindo socorro, e o pessoal, ao invés de ajud√°-lo, filmava com as c√Ęmeras de celulares. Era de cortar o cora√ß√£o", descreveu o fotógrafo Israel Gato Serr√£o, minutos antes de receber alta médica do HM.

Emocionada, sem conter as l√°grimas, Sabrina contou que, desde o primeiro momento em que chegou ao HM, sentiu-se segura para dar continuidade ao tratamento da Covid-19. Ela lembrou que, ao sair da ambul√Ęncia do Servi√ßo de Atendimento Móvel de Urg√™ncia (Samu), a infectologista e gerente médica do HM, Sarah Dominique Dellabianca Araújo Holanda, colocou a m√£o sobre sua cabe√ßa e tentou acalm√°-la, pronunciando: "Fique tranquila, querida. Aqui, voc√™ ser√° bem-cuidada. Vamos fazer o possível pra voc√™ ficar curada dessa doen√ßa. N√£o se preocupe".

Sabrina disse que as palavras da médica, naquele momento, soaram como um b√°lsamo para os seus ouvidos. "O que ela falou na madrugada do dia 21 de janeiro, gra√ßas a Deus, est√° se concretizando agora", disse a paciente no dia em que deixou o HM. A paciente fez quest√£o de enfatizar que o apoio das psicólogas e das assistentes sociais foi essencial para que ela pudesse seguir o tratamento com os médicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, técnicos de enfermagem e enfermeiros. "Recebi um tratamento paliativo de aten√ß√£o que foi fundamental para minha recupera√ß√£o. Foi uma coisa fora do comum que eu n√£o iria ter na minha cidade", observou.

Supera√ß√£o – Outra paciente que recebeu alta médica do HM foi Terezinha Gomes, de 61 anos. Segundo a infectologista e gerente médica da unidade hospitalar, Sarah Dominique Dellabianca Araújo Holanda, a assistida foi um grande exemplo de supera√ß√£o contra a Covid-19. Ela recebeu alta hospitalar no último dia 12 de fevereiro e foi o quinto paciente de Manaus a deixar a unidade hospitalar, após 19 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tr√™s em um dos leitos clínicos.

"Ela permaneceu um período curto na ventila√ß√£o mec√Ęnica, tendo uma resposta excelente ao tratamento, o que deixou a equipe multidisciplinar otimista. Ela é um dos exemplos de que Alagoas tem prestado uma assist√™ncia humanizada e com qualidade aos pacientes acometidos pela Covid-19. Ainda que os cinco pacientes que receberam a nossa assist√™ncia estejam em Manaus, continuamos a manter o contato com eles quase diariamente, pois entendemos que o atendimento humanizado ultrapassa o momento pós-alta hospitalar", afirmou a infectologista Sarah Dominique Dellabianca Araújo Holanda.

Ao sair da enfermaria, Terezinha fez quest√£o de agradecer ao governo do Estado pela Opera√ß√£o Alagoas Solid√°ria, que no total recebeu 14 pacientes vindos de Manaus, sendo oito destinados ao HMA e seis ao HM. A paciente manauara lembrou dos momentos de afli√ß√£o vividos em sua terra natural e disse que, em Alagoas, finalmente foi tratada com humaniza√ß√£o e efici√™ncia, mesmo ficando 19 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tr√™s no leito clínico.

"O tratamento que eu recebi aqui foi maravilhoso, do come√ßo ao fim. O carinho, o amor, a aten√ß√£o e o respeito de todos os profissionais s√£o sentimentos que v√£o ficar guardados em minha memória pra sempre. Saio daqui bastante satisfeita. Vou orar por voc√™s pelo resto da minha vida", agradeceu.

Metropolitano – J√° no HMA, dos oito pacientes recebidos, Thifanny Daniel, Anderson José, Francisca Celane Pereira Souza, Nilvana Cavalcante e Francisco Carlos Silva da Fonseca receberam alta médica. Mas, infelizmente, devido à gravidade do quadro clínico que apresentavam quando chegaram a Alagoas, tr√™s dele n√£o resistiram às complica√ß√Ķes da Covid-19. As vítimas foram um homem de 36 anos, uma mulher de 36 e um homem de 64.

"Estamos passando por uma situa√ß√£o muito difícil em Manaus. L√°, é tudo muito prec√°rio, nós est√°vamos jogados às moscas, literalmente. Falta gente para trabalhar, falta remédio, faltou até comida um dia. Com a ajuda de Deus, eu pude chegar até aqui! Desde o momento que cheguei, todos me receberam muito bem, me deram banho e eu saí renovada desse banho", disse Nilvana, após relembrar o que viveu no início de janeiro deste ano.

Anderson José, segundo paciente a receber alta na unidade, ressaltou. "Eu fui muito bem tratado, n√£o tenho nada a me queixar. A equipe foi excelente, me tratou com todo carinho, toda aten√ß√£o e toda paci√™ncia. Tudo foi nota mil! Tô levando lembran√ßas dos amigos que fiz aqui", salientou.

O tratamento dispensado aos pacientes foi além dos cuidados patológicos e, através de uma assist√™ncia humanizada, os pacientes mataram a saudade de seus familiares, causada pelo isolamento e dist√Ęncia. Entre as a√ß√Ķes de humaniza√ß√£o desenvolvidas pelo HMA, foram executados os programas Correio da Saudade, Visita Virtual e Espa√ßo Acolher.

"Buscamos sempre entregar um tratamento de qualidade para os alagoanos, e em meio a uma pandemia, a assist√™ncia humanizada é essencial para que possamos tornar esse momento mais leve", ressaltou Marcos Ramalho, secret√°rio Executivo de A√ß√Ķes de Saúde e diretor do Hospital Metropolitano de Alagoas.

*Redação TV Alagoas com Assessoria

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