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A Educação do futuro chegou! Tem certeza?

Por Alessandro Queiroz em 31/05/2021 às 11:29:43

Quando estudávamos em nossa infância era quase um clichê ouvirmos de nossos pais a seguinte frase: "Estude, pois você é o futuro da nação". Quem nunca ouviu isso?!
E, logo em seguida eu me perguntava "se eu sou futuro, será que a minha escola, por um acaso, tem o poder de enxergar o futuro"?
A resposta é bem simples. NÃO!
Em parte porque nós humanos não somos capazes de predizer o futuro com exatidão, mas o mais relevante para essa questão é que infelizmente ainda nosso sistema educacional olha mais para trás do que para frente.
Aqui eu preciso fazer uma pequena contextualização de por quê o sistema educacional olha mais para o passado do que para o futuro. A educação formal em massa apareceu como uma necessidade para nossa sociedade moderna somente na Revolução Industrial (antes disso era um privilégio de poucos nobres, realeza e aristocracia), para que as pessoas em migração para os centros urbanos pudessem ser devidamente instruídas para trabalhar como mão-de-obra nas fábricas e indústrias. Para isso, a abordagem educacional desse formato era imediatista e voltada para o conteúdo e tecnicidade ("Precisamos fazer essas pessoas rurais preparadas para seguirem as ordens e apertar parafusos").
Acontece que esse modelo de educação pouco evoluiu durante os últimos 250 anos. Nossas práticas e abordagens nas escolas em 2021 ainda se espelham naqueles preceitos do século XVIII. Faça uma pesquisa rápida. Pare de ler esse artigo e procure no Google por "Escola século XVIII".
Um pouco frustrante o que apareceu na pesquisa, não é? A sala de aula é idêntica. Alunos enfileirados, voltados para o quadro, o professor como centro de poder e as feições dos alunos aparentando medo.
Mas convenhamos, a educação passou por uma revolução com a crise da pandemia do COVID-19, não é mesmo?
É e não é, ao mesmo tempo!
Eu, até por ser um gestor de escola, preciso assumir que a pandemia do COVID-19, por mais dura e desafiadora que seja, foi muito importante para levar a educação a novos patamares e provocar verdadeiras revoluções, principalmente no que tange ao digital. Também nos trouxe muitas esperanças de que talvez a Educação Universal esteja mais próxima da realidade (porém, vou guardar esse assunto para um novo artigo).
Mas será que evoluímos tudo que podemos evoluir como sistema de educação? Será que hoje, Maio de 2021, por conta da COVID-19 podemos dizer que finalmente nossas escolas estão preparadas para o futuro?
Não podemos cair na armadilha de achar que somente por que nossos filhos estão tendo aulas à distância / online, utilizando uma internet de alta velocidade, através de um tablet ou notebook de última geração que o futuro da educação chegou (isso obviamente para aqueles que têm acesso a essas possibilidades. Lembrando que recente estudo do IPEA mostrou que cerca de 6 milhões de estudantes no Brasil não têm acesso a internet e, consequentemente, não conseguem participar do ensino remoto).

Certamente a educação chegou no futuro, mas será que o futuro chegou na educação?

Os artifícios tecnológicos que nos vimos obrigados a utilizar nas aulas durante a pandemia de COVID-19 podem nos ludibriar a acreditar que o futuro da educação resume-se a isso.
Mas preciso ser sincero com você, caro leitor que possui essa crença, a mudança mais significativa para termos uma educação do futuro ainda não começou a acontecer de maneira consistente.
Os especialistas em educação são unânimes ao afirmar que as escolas deveriam estar ensinando prioritariamente os "4 Cs" - Pensamento Crítico, Colaboração, Criatividade e Comunicação.
Para isso, as escolas deveriam minimizar habilidades técnicas e foco no conteúdo, e enfatizar habilidades para propósitos genéricos da vida, ou a capacidade de resolvermos problemas de qualquer natureza. Um dos aspectos mais importantes será a habilidade para lidar com mudanças, "aprender a aprender" (aprender coisas novas) e preservar o equilíbrio mental e emocional em situações complexas em que não lhe são familiares.
Para elucidar um pouco o cenário que estamos projetando aqui, especialistas e futuristas afirmam que 85% das profissões que existirão em 2030 ainda nem existem oficialmente. Além de tudo, outros estudos mostram que 50% das profissões atuais nem existirão em 2030.
Um outro ponto importante que os especialistas sugerem é que nossos filhos não terão mais somente uma profissão, mas provavelmente 3 a 5 profissões durante toda a vida, por conta da velocidade de mudanças que temos vivido. Os saltos de aprendizagem e tecnologia tem acontecido cada vez mais perto uns dos outros.
Com base nisso conseguimos ver a tamanha importância de ensinarmos nas escolas a habilidade de adaptação e resiliência.

Quando conseguirmos reestruturar nosso sistema de educação e direcionar para entregar esses objetivos acima, poderemos dizer que temos uma educação do futuro. Porém, a mudança não para aí.
A educação do futuro exige atenção às tendências e velocidade nas mudanças. Para isso, o próprio sistema precisa ser criado em torno de um ambiente com alta criticidade e feedback, trabalho colaborativo e criatividade para inventar novas formas de aprendizado.
Os ciclos de mudança também precisam ser mais frequentes e menos demorados. Não dá para esperar 250 anos para perceber que a educação está defasada, como estamos hoje, senão a Educação do Futuro sempre estará no Passado.


Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2020/09/4873174-cerca-de-seis-milh

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