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Petrópolis tem o maior volume de chuva em 24 h desde agosto de 1952

Redação17 de fevereiro de 2022574 visualizações
Petrópolis tem o maior volume de chuva em 24 h desde agosto de 1952

A soma de 259,8 mm de chuva nesta terça supera a de 20 de agosto de 1952, ocasião em que foram registrados 168,2 mm acumulados em 24 h. Segundo o instituto, este último número é de uma estação que funcionou na cidade de 1932 a 1960.

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Para se ter uma ideia, para cada milímetro de chuva que cai, o volume equivale um litro despejado por uma área de 1 metro quadrado. Quando se fala em chuva de 50 mm, por exemplo, trata-se de 50 litros de água acumulada em 1 metro quadrado.

De acordo com Marlene Leal, meteorologista do Inmet do Rio, as condições climáticas que causaram o desastre em Petrópolis são muito parecidas com as que causaram o desastre de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro, atingindo Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.

Leal explica que, assim como em 2011, as fortes chuvas se devem à mistura da alta umidade relativa do ar com alta temperatura, somada à frente fria instalada sobre o mar do litoral fluminense e à ocorrência do La Niña.

"A diferença entre 2011 e agora é que desta vez as nuvens de chuva ficaram muito concentradas sobre Petrópolis. A abrangência foi muito menor do que na década passada", afirma a meteorologista.

O fenômeno natural La Niña se trata do esfriamento das águas do Oceano Pacífico. O La Niña tem como característica o aumento da força do vento e intensidade da chuva na região Nordeste, como visto na Bahia em dezembro de 2021, e seca no Sul.

Esse fenômeno é o oposto do El Niño, que é o aquecimento do Oceano Pacífico e provoca aumento de chuvas no Sul e queda no Nordeste.

Uma das principais características do La Niña é deixar instável a região Sudeste, de maneira que não é possível dizer se haverá muita chuva ou pouca chuva. Essa imprecisão associada a um outro fenômeno chamado de Zona de Convergência do Atlântico Sul pode ter criado um cenário favorável para a chuva de Petrópolis nesta terça.

Essa zona de convergência é uma faixa que vai do noroeste do país até o sul do Oceano Atlântico, passando pelo Sudeste. Esse é o principal sistema causador das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste.

A zona de convergência já vinha causando chuvas intensas na região nos últimos dias, "a zona de convergência não estava bem definida ontem (terça, 15), tudo indicava que a situação era muito pior em Minas Gerais. Daí a surpresa diante da intensidade da chuva concentrada sobre Petrópolis", diz Leal.

Para Leal, mesmo com os alertas emitidos pelo Inmet e Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a intensidade da chuva concentrada sobre Petrópolis surpreendeu.

Os primeiros alertas eram amarelos, ou seja, indicavam risco potencial de tempestade com possibilidade de chuva de até 50 mm por dia, segundo o sistema Alert-As do instituto.

Para o intervalo de 24 h de 11h desta quarta (16) até 11h desta quinta-feira (17), o alerta se mantém amarelo e soma-se a ele um alerta laranja, mais grave, de chuvas intensas e cujo grau de severidade adotado pelo instituto é de perigo, podendo chegar a 100 mm acumulados em 24 h.

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