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Pacientes morrem por falta de respiradores no Brasil

JN08 de maio de 2020

Amazonas tem sete leitos de UTI para cada 100 mil habitantes. Essa taxa é quatro vezes menor que a do Distrito Federal, por exemplo.

O estado do Amazonas tem sete leitos de UTI para cada 100 mil habitantes - um quarto da taxa do Distrito Federal, por exemplo. Na pandemia do coronavírus, o resultado disso é a morte de pacientes em estado grave que poderiam ter sobrevivido se tivessem acesso a um respirador.

Na porta do Hospital Estadual Platão Araújo, o desespero. Luziane perdeu o marido, Leandro Jorge Lima, de 44 anos. Oficialmente, ele morreu de insuficiência respiratória aguda. O teste para a Covid-19 ainda não ficou pronto.

A família denuncia que não havia respirador disponível no hospital. Durante a internação de três dias, os médicos improvisaram um respirador com saco plástico. “Ele sofreu muito, demais. Ele não conseguia respirar. Aí eles ficam falando que todos os hospitais estão equipados, tudo mentira. Se vocês falarem com pessoas que eu vi lá onde a gente estava, que estão ali pegando o corpo da família, que estavam lá. Cadê, então, esse negócio?”.

Mais cedo, no mesmo hospital, Sérgio chorou muito pela perda do pai, seu Antônio, de 66 anos. Ele tinha Covid-19. Esperou oito dias por um respirador, mas só foi transferido para a UTI nesta quinta-feira e utilizou o equipamento por apenas 50 minutos. Seu Antônio teve uma parada cardíaca e não resistiu.

“Ele foi muito feliz para intubação, meu pai. Foi muito feliz. O desejo que ele sempre tinha era ter um respirador, ele tinha esperança. Um desejo que ele sempre pediu, desde o início. ‘Eu quero um respirador, eu quero um respirador’ e a gente não encontrou. A gente lutou, não encontrou. Quando encontrou, foi no final da vida dele. Muito triste”, conta Sérgio Monteiro, consultor de vendas.

Médicos relatam que não há respiradores para atender a todos os pacientes e que muitas vezes são obrigados a escolher quem vai ter acesso ao equipamento.

O governo do Amazonas aumentou a estrutura e o número de leitos nos quatro hospitais do estado, um de referência e três de apoio, que atendem pacientes com Covid-19. Mas a taxa de ocupação de leitos de UTI é alta: 89%. E a superlotação continua.

Os últimos números divulgados mostram 10.099 casos confirmados e 806 mortes. O caos na saúde se reflete no sistema funerário, que tem enterros coletivos em valas comuns.

A direção do Hospital Platão Araújo afirmou que o paciente Antônio Teles da Gama recebeu todos os cuidados condizentes com a evolução do quadro de saúde dele. O hospital não se pronunciou sobre o caso de Leandro Jorge Lima, que foi fotografado com o respirador improvisado com um saco plástico.

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