Investigadores querem ouvir Maurício Valeixo, ex-diretor geral da PF, na próxima semana
Ideia é que depoimento ocorra já na segunda-feira em Curitiba. Ministros da ala militar do governo devem depor depois de Valeixo. Delegado da PF Maurício Valeixo na sede da corporação em Curitiba, em janeiro de 2018
DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Investigadores que atuam no inquérito que apura interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal querem ouvir o ex-diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, na próxima semana. A ideia, segundo o blog apurou, é ouvi-lo já na segunda-feira (11), em Curitiba.
Como a equipe de procuradores que auxilia Augusto Aras nos trabalhos do inquérito e acompanha os depoimentos das investigações terá de se deslocar de Brasília para Curitiba, os depoimentos dos ministros da ala militar do governo devem ficar para depois de Valeixo.
Valeixo foi o pivô da saída de Moro do governo. Bolsonaro queria tirar do posto o então diretor-geral da PF desde agosto, mas Moro reagiu. Valeixo era um nome escolhido por Moro, e o ex-ministro ameaçou deixar o governo se Bolsonaro tirasse Valeixo.
Em agosto, o presidente recuou. Em abril, voltou ao tema e comunicou a Moro que faria a troca. Sem concordar, o ex-juiz da Lava Jato pediu demissão após Valeixo ser exonerado e relatou durante pronunciamento de sua demissão que o presidente fez a troca porque queria interferir politicamente na Polícia Federal.
Com base em seu pronunciamento, a PGR pediu a abertura de um inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Os relatos estão em investigação, e o caso está sob relatoria do ministro Celso de Mello. O ex-ministro da Justiça Sergio Moro depôs no inquérito no último sábado (2). Agora, para investigadores, é crucial ouvir ministros do Planalto - General Heleno, General Ramos e General Braga Netto - sobre as acusações de Moro, além de Valeixo.
Os investigadores também estão na expectativa da entrega do vídeo da reunião em que Bolsonaro teria falado na interferência política na PF, o que corrobora a declaração de Moro.
Segundo o blog apurou, o Planalto teme a divulgação do vídeo por ser, além de uma prova, algo "constrangedor" para o presidente.
Segundo fontes ouvidas pelo blog, na reunião, foram tratados temas que vão além da interferência política na PF, o que exporia ainda mais a maneira como presidente se porta perante o combate ao coronavírus, minimizando os efeitos da pandemia. Isso geraria exposição negativa para o governo federal.
Fonte: G1




