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Ibovespa Fecha Semana em Alta, Dólar Cai a R$ 5,14 e Petróleo Dispara com Tensão no Irã

Redação21 de agosto de 2026

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, 21, embalado principalmente pelas ações dos bancos e pelo desempenho positivo de Wall Street. O dólar recuou com o enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior, enquanto o petróleo avançou novamente diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.

O principal índice da bolsa brasileira subiu 1,85%, aos 171.031,73 pontos, na terceira sessão consecutiva de ganhos. Na máxima do dia, chegou aos 171.979,78 pontos e, na mínima, marcou 167.928,33 pontos. O volume financeiro somou R$ 33,43 bilhões antes dos ajustes finais.

Com o resultado, o Ibovespa acumulou valorização de 2,45% na semana. Em agosto, no entanto, ainda registra queda de 3,91%.

O movimento teve apoio do exterior. Nos Estados Unidos, o S&P 500 encerrou o pregão com alta de 0,43%.

Apesar da recuperação dos últimos dias, o economista sênior Vitor Kayo, da Nomad, avalia que o movimento da bolsa brasileira ainda parece mais técnico do que estrutural, após a forte sequência de perdas registrada no início de agosto.

"Falta convicção de que a virada seja duradoura, já que a bolsa segue dependendo muito do capital estrangeiro, que saiu em peso do país neste mês, enquanto o investidor brasileiro segue mais recuado", afirmou.

Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros retiraram R$ 22 bilhões da bolsa brasileira em agosto até o dia 19.

Bancos puxam alta do Ibovespa

As ações dos bancos estiveram entre os principais destaques positivos da sessão, após a pressão recente provocada pelas preocupações com o cenário de crédito no país.

Itaú Unibanco subiu 2,91%, enquanto Bradesco avançou 3,11%. Banco do Brasil ganhou 2,16% e Santander Brasil fechou em alta de 2%. O BTG Pactual teve o melhor desempenho entre os bancos do índice, com valorização de 3,99%.

O pregão também foi positivo para mineradoras e siderúrgicas. Vale avançou 1,36%, acompanhando o desempenho do setor no exterior. Usiminas saltou 7,91%, CSN disparou 7,64% e CSN Mineração ganhou 4,9%.

Gerdau destoou do grupo e encerrou praticamente estável, enquanto investidores ainda avaliavam os possíveis efeitos da decisão dos Estados Unidos de suspender tarifas sobre importações do Canadá.

Petrobras, por sua vez, fechou em leve queda de 0,05%, interrompendo uma sequência de seis altas. Nesse período, os papéis acumularam valorização de 6,92%.

A queda ocorreu mesmo com a valorização do petróleo no mercado internacional. A estatal também informou nesta sexta-feira que apresentou manifestação de interesse em blocos exploratórios offshore na Bacia de Keta, em Gana, na África.

Entre os demais destaques, Axia avançou 1,43%. A elétrica anunciou um acordo com a União e o Estado do Piauí para encerrar uma ação no Supremo Tribunal Federal relacionada a supostos prejuízos provocados pela demora na venda e privatização da antiga distribuidora Cepisa. O acordo prevê o pagamento de duas parcelas de R$ 650 milhões, valor que, segundo a companhia, já estava provisionado.

Hapvida subiu 7,39%, após a diretoria colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar suspender os efeitos de uma medida cautelar anterior que impedia reajustes e cancelamentos de contratos anunciados recentemente pela empresa.

Magazine Luiza avançou 7,22%, recuperando parte das perdas de mais de 9% acumuladas nos dois pregões anteriores, em meio às preocupações com as pressões financeiras sobre o varejo.

Vamos teve uma das maiores altas do índice, com avanço de 10,48%. O papel vinha de três sessões consecutivas de queda e havia recuado quase 8,5% apenas na quinta-feira. O alívio nas taxas dos contratos de DI também ajudou as ações.

No setor de proteínas, Minerva ganhou 4,45%, depois de chegar a subir mais de 7% durante o dia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que permitirá a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem afetar as cotas tarifárias existentes. Os Estados Unidos são o segundo maior destino da carne bovina brasileira, atrás da China.

MBRF avançou 6,95%, enquanto a JBS, listada em Nova York, subiu 1,99%.

Dólar cai 1% e fecha semana em baixa

No câmbio, o dólar acompanhou a perda de força da moeda norte-americana frente às principais divisas internacionais, enquanto investidores também monitoraram o noticiário eleitoral brasileiro.

A moeda fechou em queda de 1%, cotada a R$ 5,1417. Às 17h03, o contrato futuro de dólar para setembro, o mais negociado na B3, também recuava 1%, a R$ 5,1540.

Na semana, o dólar acumulou queda de 1,53% frente ao real.

Petróleo avança com tensão entre EUA e Irã

No mercado internacional, o petróleo voltou a subir nesta sexta-feira depois que Trump ameaçou impor sanções econômicas aos parceiros comerciais do Irã, aumentando as preocupações com uma possível redução da oferta nas próximas semanas.

O Brent, referência internacional, avançou 0,65%, a US$ 94,39 o barril. O petróleo norte-americano WTI ganhou 0,26%, a US$ 87,06.

Na semana, a alta foi mais expressiva. O Brent acumulou valorização de 6,39% e o WTI avançou 5,66%. Na sessão anterior, ambos haviam alcançado as maiores cotações desde 24 de julho.

"As sanções têm sido a única coisa capaz de colocar o Irã na linha", afirmou John Kilduff, sócio da Again Capital.

O Irã declarou nesta sexta-feira que sua resposta a novas ameaças dos Estados Unidos seria "devastadora", depois de Washington prometer impor sanções financeiras ainda mais severas contra o país.

Para Crispus Nyaga, analista de pesquisa da Empire FX, o efeito imediato sobre a oferta pode ser limitado porque as exportações iranianas já estão fortemente restringidas pelo bloqueio naval norte-americano. O risco, segundo ele, está em uma eventual escalada dos incidentes envolvendo navios e em novas retaliações, especialmente enquanto o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo dos níveis normais.

O mercado, porém, já busca alternativas para compensar as restrições na região.

"Ormuz ainda é um problema, mas não é mais a única questão", afirmou Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group. Segundo ele, oleodutos, navios de transporte, a produção de xisto dos Estados Unidos, a recuperação da Venezuela e a oferta dos Emirados Árabes Unidos ajudam a colocar mais barris no mercado.

Mesmo assim, o petróleo terminou a semana pressionado pelas preocupações com a redução da oferta de importantes produtores, entre eles Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.

O acordo de paz anterior entre Estados Unidos e Irã expirou nesta semana sem que os dois países retomassem as negociações.

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