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Brasil faz malabarismo na ONU para criticar ação da Rússia contra Ucrânia sem atingir Putin

Redação24 de fevereiro de 2022408 visualizações
Brasil faz malabarismo na ONU para criticar ação da Rússia contra Ucrânia sem atingir Putin

Os russos são considerados parceiros estratégicos e são sócios do Brasil no Brics (grupo também formado por Índia, China e África do Sul).

A tentativa da diplomacia brasileira de se equilibrar entre a posição dos Estados Unidos e aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e, do outro lado, a da Rússia de Vladimir Putin tem ficado evidente nos discursos do embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho, no Conselho de Segurança.

A última manifestação do brasileiro ocorreu na noite desta quarta-feira (23). Na ocasião, Costa Filho disse que "a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial, soberania e independência política de um membro da ONU é inaceitável".

Trata-se de uma das mais duras linguagens adotadas até o momento contra a mobilização militar russa na fronteira –e agora no território– da Ucrânia. Apesar disso, Costa Filho não mencionou diretamente o governo da Rússia e passou longe da retórica americana e de aliados europeus que responsabilizam diretamente Putin pela maior ameaça militar no continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Diplomatas consultados pela reportagem avaliaram, sob condição de anonimato, que a fala de Costa Filho foi o mais longe que o Brasil conseguiu chegar para criticar a ameaça de agressão russa sem fazer uma condenação enfática de Moscou –algo que, dizem, não é do interesse do país.

Destacaram ainda que o anúncio da invasão da Rússia ocorreu enquanto a sessão do Conselho de Segurança estava sendo realizada, de forma que o discurso de Costa Filho provavelmente foi elaborado antes do início dos ataques.

O paralelo mais próximo à atitude brasileira na ONU também tem relação com a Rússia. Em 2014, o país se absteve de condenar a decisão russa de anexar a Crimeia, que era parte do território ucraniano.

Nesta quinta (24), o Itamaraty divulgou uma nota em que diz acompanhar "com grave preocupação a deflagração de operações militares" pela Rússia contra "alvos no território da Ucrânia".

Costa Filho fez ainda em sua manifestação um apelo pela retirada de tropas como "uma medida efetiva para a prevenção e redução de ameaças à paz".

"O recurso às armas e a confrontação não levam a uma paz duradoura. Nesse sentido, conclamamos todas as partes que exerçam contenção máxima e se abstenham de qualquer ação que possa aumentar as tensões no terreno. Não é tempo para retórica beligerante ou ameaças militares, mas de verdadeiro engajamento no processo diplomático. O caminho das negociações não foi exaurido", declarou.

A declaração de Costa Filho, no entanto, traz mudanças em relação a manifestações anteriores do Brasil. Em reunião anterior do Conselho de Segurança sobre o tema, em 31 de janeiro, o diplomata havia se oposto a sanções econômicas unilaterais.

Na noite desta quarta, o Brasil não fez qualquer referência a sanções econômicas. Uma menção nos moldes da que foi feita no final de janeiro, dizem diplomatas, poderia ser interpretada como uma crítica a ação dos Estados Unidos e de aliados de impor punições contra a Rússia por conta da invasão.

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